A conciliação para a eficaz recuperação de crédito empresarial

A conciliação para a eficaz recuperação de crédito empresarial

Thiago Guimarães*

17 de maio de 2021 | 15h30

Thiago Guimarães. FOTO: DIVULGAÇÃO

A crise causada pela pandemia do coronavírus pegou o mundo de surpresa, gerando fortes impactos no setor empresarial. Durante anos, o empresariado brasileiro se vê diante do elevado custo para se obter financiamento e da alta carga tributária, que são os grandes entraves para o desenvolvimento econômico no país. Em meio a já turbulenta vida de quem entra no ambiente de negócios, a pandemia arrematou empresas de diversos setores.

Desde o início da crise, muitas empresas tiveram que fechar as portas, seja pela falta de clientela, pelo lockdown determinado em diversas localidades, pela falta de segurança na saúde e contaminações, e até mesmo a falta dos mantimentos para manter as empresas fizeram com que empresários acumulassem prejuízos financeiros. Mas ainda assim, o momento pode ser de recuperação, a busca sempre deve ser por melhorias e uma delas é a recuperação de crédito.

Por estarmos passando por um momento totalmente atípico, que ninguém esperava, a inadimplência tomou conta de diversas empresas, o que ainda resultou em desemprego. Para as empresas que têm empréstimos ou dívidas com bancos, o problema se tornou ainda pior. Mas com a economia começando a dar sinais de recuperação, o setor empresarial já está conseguindo efetuar a recuperação de créditos.

A recuperação de crédito é um método que proporciona a reparação de inadimplências. Normalmente, o processo é feito por instituições especializadas na cobrança pelo reembolso de uma dívida negativada. A ideia é fazer com que o inadimplente liquide as dívidas e regularize sua situação financeira para voltar a ter acesso a modalidades de créditos, como financiamentos e empréstimos.

Como forma de alcançar o sucesso nessa recuperação, muitas empresas podem optar pela conciliação, tentando primeiramente negociar com os devedores os valores pendentes, que foram deixados para trás. Agora com a economia começando a dar os primeiros passos de recuperação, é possível refazer esse acordo para que os credores possam reaver esses valores devidos.

Por ser um método célere e eficaz, a conciliação vem crescendo e sendo usada cada dia mais. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, em 2020, mais de 32 mil acordos foram registrados pela Justiça estadual, federal e do trabalho, durante a Semana Nacional de Conciliação.

Vale ressaltar que as empresas que estão passando pela recuperação judicial também conseguem fazer acordos de conciliação para realizar os pagamentos das dívidas. A conciliação é importante para todos, tanto para as pessoas, quanto para a economia e para as empresas que sofrem muito neste momento de pandemia. É essencial ir atrás desses créditos sem precisar ajuizar uma ação, fazendo essa tratativa de uma forma extrajudicial.

Se o empresário deixar o pagamento das dívidas para outro momento, isso pode causar problemas no futuro, pois ao tentar buscar novos créditos, essas pendências podem atrapalhar uma nova negociação. Por isso, o acordo é a melhor saída para o devedor e para o credor.

A conciliação evita que o devedor tenha seu nome negativado, ou tenha uma ação ajuizada em desfavor dele. Já para o credor, o método consensual permite que ele receba os valores devidos nesse momento de crise, mesmo que seja com uma pequena redução depois do acordo firmado entre as partes.

Além disso, uma boa conciliação na recuperação de crédito ainda pode gerar novos valores não esperados para o caixa da empresa, além de alavancar seu poder econômico e de competitividade no mercado. Portanto, o acordo entre as partes sempre será o mais vantajoso, principalmente nesta fase de crise.

*Thiago Guimarães, advogado, mestre em Direito e sócio do escritório Guimarães Parente Advogados

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