‘A casa foi assaltada e o guardião subornado para garantir a impunidade na mais alta esfera da República’

‘A casa foi assaltada e o guardião subornado para garantir a impunidade na mais alta esfera da República’

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, lança nesta terça, 23, em São Paulo, seu livro 'A Luta Contra a Corrupção', em que diz que os desvios descobertos na Petrobrás - com rombo de mais de R$ 40 bi - abasteceram políticos da situação e da oposição

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Julia Affonso

23 de maio de 2017 | 17h23

“Não foram apenas os partidos da situação que se beneficiaram da corrupção na Petrobrás, mas também, indiretamente, parlamentares da oposição, ao encobri-la.”

A constatação é do coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, o procurador da República Deltan Dallagnol, que nesta terça-feira, 23, faz o lançamento do seu livro A Lulta contra a Corrupção, editora Sextante, em São Paulo.

“A casa foi assaltada e o guardião subornado para garantir a impunidade na mais alta esfera da República”, escreve Dallagnol, no capítulo Antes e depois da Lava Jato, em que registra três episódios de compra de parlamentares de comissões de inquérito criadas no Congresso, para investigar a corrupção na Petrobrás, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“A corrupção no Brasil não é um problema de um governo ‘A’ ou de um governo ‘B’, de um partido ‘A’ ou de um partido ‘B'”, argumenta o autor.

Em 320 páginas, o procurador conta no livro a história da maior e mais longeva operação de combate à corrupção do País, que completou em março 3 anos de fases ostensivas, reunindo Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal.

Crise. Em meio à maior contra-ofensiva política contra a Lava Jato, o coordenador da força-tarefa que originou o escândalo Petrobrás tem encontrado tempo para divulgar seu livro e trabalhar nas denúncias e processos.

No material, um documento histórico de visão interna das investigações, Dallagnol aborda a “guerra de comunicação” e os contra ataques de políticos emparedados pela Justiça, revela detalhes do primeiro acordo de delação premiada, de momentos como a condução de Lula para depor, as leis anti investigações propostas no Congresso e de como as apurações transbordaram a esfera criminal para colocar em debate no País a necessidade de reformas.

Um dos autores da proposta das 10 Medidas Contra a Corrupção, o livro conta como surgiu a ideia de apresentar ante projetos de lei ao Congresso, para tentar uma reformulação no arcabouço jurídico brasileiro de enfrentamento aos crimes do colarinho branco, de como a força-tarefa evoluiu e se sustentou usando métodos modernos de investigação, os recursos recuperados aos cofres públicos e os riscos de a Lava Jato repetir falhas constatadas na prima mais velha italiana, a Operação Mãos Limpas.

“É preciso desfazer de uma vez por todas o mito de de que a corrupção funciona como um lubrificante das engrenagens da economia”, afirma Dallagnol.

Bastidores. Nas páginas de A Luta Contra a Corrupção, Dallagnol fala da surpresa que tiveram os procuradores, após a repercussão negativa da apresentação do power point da primeira denúncia formal contra Lula, em setembro de 2016, os momentos críticos dentro da equipe de 13 procuradores e alguns bastidores do maior escândalo de corrupção do Brasil.

O livro foi lançado nacionalmente no dia 26 de abril, em Curitiba, berço da operação Lava Jato, onde as investigações começaram em 2013 e resultaram em março de 2014 na primeira fase ostensiva, com buscas e prisões – são 40 operações até aqui.

O lançamento do livro em São Paulo acontece às 19h desta terça-feira, 23, na Livraria Cultura, do Shopping Iguatemi, com um bate-papo com a jornalista Mariana Godoy, aberto ao público e que vai ser transmitido ao vivo pela página da editora Sextante, no Facebook. O livro custa R$ 39,90 e a versão e-book R$ 24,99.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.