À beira do colapso, Sindicato das Academias do Distrito Federal clama por reabertura

À beira do colapso, Sindicato das Academias do Distrito Federal clama por reabertura

Thaís Yeleni Ferreira*

10 de julho de 2020 | 04h00

Muita coisa mudou desde o começo da pandemia causada pelo novo Coronavírus. Para evitar a disseminação da doença, o Governo do Distrito Federal fechou diversos empreendimentos, entre eles as academias e os parques públicos, locais onde o brasiliense podia praticar exercícios físicos.

Recentemente, o Governador Ibaneis Rocha reabriu os parques, e no fim de junho começou um plano para retomar as demais atividades: academias, escolas, salões de beleza e restaurantes. No segmento fitness, o retorno aconteceu no dia 7 de julho. Mas, apesar da expectativa otimista, as unidades tiveram de fechar as portas novamente, 48h depois do decreto que permitiu que retomássemos as atividades.

Nós estamos estarrecidos com tudo o que vem acontecendo e para fundamentar nosso pedido de retomada, fizemos um levantamento para saber o tamanho do impacto desses quase 4 meses com as portas fechadas e os números são assustadores.

É triste ver como o setor está sucumbindo. Para se ter uma ideia, em 16 de março deste ano, dia do primeiro fechamento no Distrito Federal, tínhamos 771.500 clientes pagantes, o que gerava um faturamento anual de R$1.713.321.155,71. No dia 1º de julho, entretanto, esse faturamento chegou a zero.

Thaís Yeleni Ferreira. Foto: Rayan Ribeiro

A quantidade de funcionários no dia do fechamento, em março, era de 17.260. Este número permaneceu até 19 de abril. Mas, infelizmente de lá pra cá 7.100 colaboradores, 41,13% deste total, foram despedidos. Além dos desempregados, 10.400 contratos foram suspensos. Dos 3.520 estagiários que tínhamos, apenas 580 permaneceram, criando um lapso na formação profissional da categoria.

Quanto aos autônomos, no dia do fechamento eram 3.800 trabalhando no setor, até o momento 2.460 estavam sem condições de gerar receita. Dos 2.300 funcionários terceirizados, 1.280 foram demitidos ou tiveram seus contratos suspensos. Estamos falando de 30 mil famílias que estiveram sem ter como trabalhar, sem um “ganha pão”.

Esse vai e vem do governo e da justiça federal complicou a nossa situação, mesmo sendo um serviço essencial. Nós, do segmento fitness, cuidamos da saúde da população, conseguimos equilibrar comorbidades como o diabetes e a hipertensão, problemas que podem agravar os sintomas da COVID-19.

Para nós, é um absurdo termos ficado tanto tempo fechados em meio à esta crise. O nosso setor poderia estar ajudando a salvar vidas há bastante tempo, não só evitando essas comorbidades que citei. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de pelo menos 150 minutos de atividade física regularmente e sem as academias muita gente não conseguiu se adaptar ou ainda pior, se lesionou, sem ajuda de um profissional de educação física.

É importante ressaltar também que a prática de exercícios beneficia tanto o corpo e a mente, portanto, trata-se de um setor responsável por elevar a qualidade de vida da população, de maneira especial em um momento tão delicado. Comprovadamente, se ‘manter em movimento’ alivia o estresse e libera hormônios de bem estar, como endorfina, serotonina e dopamina, cujos benefícios incluem o aumento da disposição e da autoestima, além de diminuir os riscos de depressão e ansiedade.

A atividade física auxilia ainda no combate a inúmeras doenças crônicas e cardíacas, fortalece o sistema imune, os ossos e as articulações, bem como melhora a força e a resistência muscular. Ou seja, é uma prática que diminui os fatores de risco que podem gerar complicações severas num eventual quadro de coronavírus.

O Distrito Federal tem hoje 960 academias que prestam serviço para mais de 770 mil pessoas. Com a retomada das atividades e, claro, cumprindo o nosso protocolo e as medidas de segurança estabelecidos no Decreto 40.939/2020 que promulgou a retomada das atividades, garantiremos a segurança física dos que frequentarem os estabelecimentos, além de proporcionar um alívio mental para os mesmos.

Nós temos plena certeza do quanto podemos ajudar e que estaremos seguros para retomar o nosso atendimento à população do Distrito Federal. Para isso, nos antecipamos e junto à outras entidades do ramo, criamos o nosso Protocolo de Segurança.

Essa cartilha inclui instruções da OMS e do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Universidade de São Paulo (USP). As normas abordam todo o sistema dos empreendimentos, desde a limpeza geral, medidas preventivas, como aferição de temperatura e uso obrigatório de máscaras, e ainda, recomendações para piscina, e comunicação com colaboradores, personal trainers e terceirizados. Nosso protocolo em breve estará disponível por meio de um curso online para os colaboradores e gestores das academias da capital.

Nós queremos mostrar para a população que estamos nos cuidando, adaptando nossas empresas com o máximo de cuidado. Queremos deixar claro que não somos centros de aglomeração nem de disseminação do vírus. Somos um serviço para a saúde. Por isso, pedimos também, ao Governador Ibaneis Rocha, que nos torne um serviço essencial, como realmente somos.

*Thaís Yeleni Ferreira é presidente fundadora do Sindicato das Academias do Distrito Federal, com 16 anos de experiência. Formada em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília, ela é especialista em gestão de academias, pela Fitness Management School, Presidente fundadora da Associação Classic Brasil Esportes Radicais, foi Diretora Regional Centro-Oeste ACAD BRASIL entre 2016 e 2019 e 2ª Tesoureira da Federação Nacional da Cultura de 2016 até atualmente.

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