A aula de Moro para a PF

A aula de Moro para a PF

Ministro da Justiça alertou grupo em formação de delegados, peritos criminais, escrivães, agentes e papiloscopistas da Polícia Federal, nesta segunda, 1, em Aula Inaugural , que 'a corrupção vai começando a minar a própria saúde da economia, o mais grave, a crença que as pessoas têm nas instituições e, em certo nível, até mesmo no próprio regime democrático'

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

02 de julho de 2019 | 09h00

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na Aula Inaugural dos cursos de formação de delegados, peritos criminais, agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal, nesta segunda, 1, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, abordou as consequências da corrupção para o país.”

“Essa corrupção disseminada, ela impacta nossa capacidade de manter políticas públicas eficientes, seja porque desviam recursos de investimentos que são necessários, às vezes até na própria segurança pública, seja porque leva o agente público corrompido a tomar decisões que não sejam as melhores do ponto de vista da eficiência da política pública”, alertou Moro.

No teatro de arena da mítica Academia Nacional de Polícia, em Brasília, o ministro seguiu. “Mas tem o problema que a corrupção em certo grau vai começando a minar a própria saúde da nossa economia e, o que é mais grave, a crença que as pessoas têm nas instituições e, em certo nível, até mesmo no próprio regime democrático.”

O ministro conclamou os principiantes federais a seguirem uma carreira imaculada e a não darem paz aos corruptos.

“É nosso dever, é dever dos senhores e das senhores, acima de tudo, manterem a sua integridade,
seja no discurso, seja no futuro. Essa é a lição número um de qualquer agente da Polícia Federal. E também respeitando a lei, no combate sem trégua contra essa corrupção disseminada no âmbito da administração pública.”

O ministro recomendou aos policiais em formação ‘combate incessante ao crime organizado, ao comportamento corrupto’.

“Os senhores e as senhoras vão conseguir manter a imagem e o prestígio que a Polícia Federal tem perante a nossa população até hoje. E, mais importante que a própria imagem, é que agindo assim a cada dia, chegando em casa, terão a sensação de que a missão está sendo cumprida.”

Moro abordou a Operação Lava Jato, que o projetou em todo o País como o juiz que mandou prender e condenou investigados por desvios e esquema de cartel e propinas instalado na Petrobrás, entre 2004 e 2014.

“Nós temos assistido, nos últimos anos, as revelações oriundas, principalmente, da Operação Lava Jato. Todos nós, sejam juízes, procuradores, policiais, cidadão comum, todos nós ficamos atônitos com o grau de deterioração da integridade de pessoas que ocupavam relevantes cargos públicos neste país.”

“Nós tínhamos há muito tempo uma percepção de que a corrupção era muito elevada entre nós, mas, claro que é diferente, quando os casos descobertos os dados vão surgindo à tona.”

O ministro destacou que ‘o crime organizado, muitas vezes, oprime parcelas da população que vivem em regiões dominadas muitas vezes por gangues de criminosos’.

Ele disse que pediu à PF ‘foco naquela criminalidade que atua mais grave, que é a criminalidade organizada, e as que praticam crimes contra a administração pública, a corrupção’.

“Claro que as atribuições da Polícia Federal são mais abrangentes, certamente existem crimes graves que têm de ser combatidos, mas nós precisamos focar em crime organizado e corrupção”, declarou.

“A Polícia Federal tem um papel importante no desmantelamento dessas gangues, dessas organizações criminosas, claro que eventualmente em conexão com as polícias locais, mas é a Polícia Federal que tem a habilidade, e os instrumentos de investigação necessários para realizar bons casos criminais que resultem em condenações pesadas contra essas gangues de criminosos”, disse.

Na avaliação de Moro, a PF tem condições de realizar investigações que visem não só apreensão de drogas, de armas, mas principalmente ‘buscar asfixiar economicamente esses grupos através da limitação de operações de lavagem de dinheiro, permitindo assim que o Estado confisque esses valores e bens reduzindo, portanto, a força dessas organizações criminosas’.

Na Aula Inaugural, Moro observou que o governo e o Ministério querem ‘fortalecer a Polícia Federal’

“A Polícia Federal é estratégica, não para o governo, mas para o país.”

Ele disse que ‘os senhores e senhoras estão prestes a entrar em um grupo de elite da Polícia Judiciária do país’.

“A Polícia Federal, nos últimos anos, dez, quinze anos ou menos tempo, teve relevante papel desempenhado e acabou adquirindo uma aura de excelência e uma imagem perante a população brasileira extremamente forte, e vai depender dos senhores e das senhoras continuar a manter essa imagem, e a única maneira de realizar bem essa tarefa é cumprindo sua missão, agir como um policial, eu me refiro a todas as categorias, escrivães, papiloscopistas, peritos, delegados, agentes da Polícia Federal.”

O ministro ressaltou que ‘a única forma de manter essa imagem de excelência da Polícia Federal é realizar um bom trabalho, e para realizar um bom trabalho é preciso ser um policial que respeite a lei, que respeite o direito das pessoas, e que tenha aquela vontade, aquela audácia de realizar um bom trabalho, de fazer bem a sua função’.

Para Moro, o policial ‘não é um funcionário público que está ali para cumprir o expediente sentado atrás de uma escrivaninha ou permanecendo passivo, mas sim de realizar o seu trabalho com vontade, com audácia, claro que com uma audácia responsável’.

A PF opera sob o guarda chuva do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. “É inegável que a Polícia Federal tem, além de um Estatuto legal que lhe outorga autonomia e independência, hoje ela tem, pelo seu próprio histórico, pelas suas próprias realizações, ela tem uma independência e autonomia que vão além até do próprio estatuto legal.”

Nesse trecho de sua mensagem, o ministro afirmou. “Os governos passam, os governantes passam, as instituições permanecem. Isso é responsabilidade dos senhores e das senhoras: contribuírem para que essa instituição fique cada vez mais forte. A lição final é servir e proteger e servir! Como a missão de todo e qualquer policial. É uma esperança para o país por mais justiça, por mais segurança, e aos senhores e senhoras cabe uma parcela da responsabilidade pela concretização dessa esperança.”

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