A área de finanças e a construção de resultados para 2020

A área de finanças e a construção de resultados para 2020

Alexandre Benedetti*

10 de dezembro de 2019 | 05h00

Alexandre Benedetti. FOTO: DIVULGAÇÃO

2020 se aproxima e é hora de repensar modelos de negócio e rever metas e estratégias para alcançar os objetivos da empresa. Nesta época, o papel do CFO na organização é desafiador, e muitas expectativas e outras tantas frustrações se voltam para as responsabilidades da função. Tomar a decisão correta sem se deixar pressionar pelos stakeholders é tarefa que requer experiência, flexibilidade e por que não dizer, coragem.

Existem dois papeis importantes desempenhados pelo CFO na construção de resultados para as empresas. Um deles é mais tático, que é o planejamento e atividade por meio da projeção do orçamento, que passa por uma avaliação junto às áreas de negócio e à operação para liderar os processos orçamentários. Neste papel, o CFO ajuda a trazer as visões macroeconômicas e atua como advisor, tornando-se a pessoa que provoca e estimula este processo. Estas costumam ser uma das funções tradicionais que fazem parte da rotina do CFO.

O outro papel é a visão estratégica, que se aplica ao modo como este profissional influencia no negócio para que o resultado seja alcançado diante de todas as mudanças e variações do mercado. É o papel de planejar e programar como o CFO pode ajudar a empresa a vender mais ou faturar mais e melhor, trazendo longevidade e perpetuidade para a organização. Estas são as duas principais maneiras de influência do CFO.

Considerar o cenário macroeconômico, os aspectos internos da companhia, o momento em que ela se encontra e aonde quer chegar, é fundamental para construir as bases para 2020. Cabe ainda ao CFO estar conectado com os acontecimentos externos que podem impactar o negócio, o que torna a construção dos resultados para o futuro muito mais desafiador quando pensamos em Brasil e América Latina, e levamos em conta os últimos episódios políticos, sociais e econômicos. O Brasil manifesta atualmente uma volatilidade muito acentuada e um risco grande para investimentos e planos a longo prazo. Dessa forma, o CFO precisa apresentar soluções diversas tentando prever todos os tipos de situações que podem ser reveladas nos próximos meses e quais tomadas de decisão a empresa pode oferecer.

Neste contexto, o CFO continua sendo cobrado por flexibilidade, adaptabilidade e inovação para direcionar a empresa aos melhores resultados. E como já foi discutido ao longo do ano, os desafios continuam os mesmos: montar uma equipe estruturada com gente capacitada e engajada; reter essa equipe; exercer boas práticas de liderança, desenvolvendo e motivando o time e saber tirar proveito e se adaptar à transformação digital, um desafio adicional em meio aos tantos outros, e que se mostra inevitável a curto prazo.

Para o próximo ano continuam valendo as habilidades comportamentais como a capacidade de leitura de cenário cognitivo para entender as inúmeras variáveis e informações que chegam a todo momento e com grande velocidade, além de um modo analítico de pensar. Sem entrar em projeções políticas e econômicas, 2020 parece tomar forma de um ano de construção e redefinição de posturas corporativas e processos. Um ano para plantar prevendo colheitas futuras, se o cenário econômico assim permitir.

*Alexandre Benedetti, diretor da Operação São Paulo da Talenses

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