A aplicação prática da Taxonomia de Bloom em treinamento e desenvolvimento

A aplicação prática da Taxonomia de Bloom em treinamento e desenvolvimento

Luiz Alexandre Castanha*

10 de março de 2021 | 05h30

Luiz Alexandre Castanha. FOTO: DIVULGAÇÃO

Você já ouviu falar da Taxonomia de Bloom? Simplificando, é uma hierarquia de habilidades mentais, emocionais e práticas que podem ajudar a estimular um pensamento mais profundo nas pessoas, sendo aplicada inclusive na aprendizagem corporativa.

A taxonomia de Bloom é composta de três domínios que refletem os tipos de aprendizagem. Cada um deles tem diferentes níveis, ordenados do mais simples ao mais complexo e associados a verbos de ação.

O domínio cognitivo: pensar e experimentar, envolve conhecimento e habilidades mentais. Conforme se sobe de nível, as habilidades de pensamento se tornam mais sofisticadas;

O domínio afetivo: se emocionar e sentir, descreve a forma como as pessoas reagem emocionalmente e sua capacidade de sentir a dor ou a alegria dos outros. É tudo uma questão de consciência e crescimento de atitudes, emoções e sentimentos;

O domínio psicomotor: praticar e físico, sendo baseado na ação e basicamente significa mudar ou desenvolver comportamentos ou habilidades.

Com base em pesquisas anteriores de educadores como Piaget e Vygotsky, o trabalho de Bloom sugere que as habilidades de pensamento se desenvolvem por meio de desafios cognitivos.

Essa metodologia mostra uma hierarquia de estágios de aprendizagem a serem seguidos. Começa com a Lembrança, passando para a Compreensão, Aplicação, Análise, Avaliação e, por último, Criação.

É uma maneira diagramática útil de pensar sobre como os diferentes tipos de tarefas de aprendizagem são “difíceis” e como elas (literalmente) se comparam. E deve ser enfatizado que a Taxonomia de Bloom é apenas isso: uma taxonomia, um sistema de nomenclatura.

Não é uma hierarquia que sugere que os níveis inferiores são menos importantes do que os superiores, nem é uma linha do tempo que insiste que um nível deve ser dominado pelos alunos antes de passar para o próximo nível.

Então, como você pode usar a Taxonomia de Bloom para desenvolver isso no ensino corporativo?

Use perguntas do ‘tipo Bloom’ para estimular um pensamento mais profundo

As perguntas que usamos podem ter um impacto enorme sobre os alunos ao fazer conexões, elevar seu pensamento para outro nível e se desenvolverem cognitivamente.

Uma pergunta do tipo cognitiva poderia ser “Quantos anos você tinha quando aprendeu a dirigir?” Já a análise do domínio afetivo requer uma pergunta que estimule a reflexão, como “Como você se sentiu quando sua avó faleceu?”.

Para inspirar pensamentos mais criativos, cumprindo o domínio psicomotor você pode perguntar “O que aconteceria se a água acabasse?” ou “De quantas maneiras você pode aprender a escrever uma poesia?”

Use a taxonomia de Bloom para diferenciar suas aulas

Use o recurso de verbos e o recurso de perguntas para ajudar a diferenciar suas aulas. Você pode aplicar habilidades de pensamento e verbos nas discussões em classe, por exemplo.

Outras opções são fornecer um desafio extra para os primeiros colocados e desenvolver o conteúdo com mais profundidade para aqueles que estão prontos para ir mais longe.

Os três domínios de Bloom nos lembram que aprender não é um processo intelectual independente, mas a soma do que estamos entendendo. sentimento e praticando ativamente.

Ao ministrar um curso analise: Quais dos seus alunos têm dificuldades e só podem receber passivamente o que você ensina? Quem poderia responder a algumas perguntas críticas e instigantes para encorajar o entusiasmo pelo aprendizado? Quais perguntas podem promover o desenvolvimento cognitivo em seus alunos com dificuldades?

Com certeza a Taxonomia de Bloom pode fornecer a você a energia e a inspiração de que você precisa.

*Luiz Alexandre Castanha é administrador de empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado à Educação

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