A ampliação do acesso para investimentos em empresas privadas

A ampliação do acesso para investimentos em empresas privadas

Patricia Stille*

13 de janeiro de 2021 | 04h15

Patricia Stille. FOTO: DIVULGAÇÃO

A classe de ativos alternativos que permite investimentos em participação de empresas privadas, chamada de Private Equity & Venture Capital, por muitos anos ficou restrita a um grupo de investidores mais privilegiados. Esta modalidade de alocação do capital, em um cenário de juros baixos, tem tudo para dar um salto e contribuir para o crescimento econômico do nosso país nos próximos anos. Com uma demanda maior por investimentos que gerem mais retornos, e consequentemente mais arriscados, a tendência é que aconteça uma ampliação da oferta de produtos, para que cada vez mais pessoas possam acessar oportunidades não tradicionais.

Private Equity & Venture Capital são investimentos considerados de longo prazo e ilíquidos, ou seja, não é trivial se desfazer de participações em empresas de capital fechado sem que haja algum evento societário, como uma rodada de captação ou venda privada. Isso porque, até então, não existe um ambiente de negociação formal para esse tipo de ativo no Brasil.

Essas alocações já fazem parte do portfólio de investidores em países mais desenvolvidos como, por exemplo, nos Estados Unidos. Lá, há mais de duas décadas os juros atingiram patamares baixíssimos, fazendo com que a maioria das pessoas repensassem a forma de investir e buscassem ativos alternativos. Entretanto, para que essa indústria se desenvolva por aqui, é preciso mais empresas ofertando participações, mais conhecimento do público sobre esse tipo de transação e mais acesso por investidores a essas oportunidades.

Para atrair maior interesse é preciso difundir conhecimento e mostrar que essas alternativas existem. Muitas pessoas acham mais fácil entender um modelo de negócio e seu potencial do que a dinâmica de um instrumento financeiro, porque a linguagem da Faria Lima muitas vezes assusta. As pessoas investem com mais conforto naquilo que elas compreendem e acreditam. O desafio, no entanto, é que o conhecimento do negócio é apenas uma parte quando o assunto é decidir ou não investir. Para não cair em armadilhas, é preciso realizar análises cuidadosas, processos de diligência criteriosos e estruturar documentos jurídicos adequados para formalizar a negociação.

É nesse contexto que as plataformas de investimento registradas na instrução ICVM 588, entram em cena, realizando ofertas de participações em empresas privadas depois de realizar todo esse escrutínio e negociar os termos da operação. Como investidor dessas plataformas, tudo o que se precisa fazer é analisar o detalhamento das ofertas (histórico financeiro, informações de mercado e do modelo de negócio, dentre outros dados) e avaliar se as oportunidades disponíveis fazem sentido para o portfólio.

Pensando nos empresários brasileiros, o mercado de capitais é pouco desenvolvido para negócios de menor porte. Os principais pontos identificados como problemas são a grande assimetria de informações, o excesso de acordos informais em arranjos societários e financiamentos, práticas imaturas de governança e, principalmente, a completa ausência de padrões em relatórios financeiros e gerenciais. Além disso, muitos deles não sabem nem por onde começar para “organizar a casa” e atrair investidores.

Uma mudança cultural já está acontecendo, não só para investidores que estão se abrindo para o novo e buscando alternativas, mas também para os empresários que estão descobrindo novas fontes para financiar crescimento além da tradicional linha de crédito bancária. O reflexo disso é um vento forte a favor do desenvolvimento da indústria de Private Equity & Venture Capital no nosso país, e estamos apenas no começo.

*Patricia Stille é sócia do Grupo Solum e CEO da plataforma beegin

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