79% das delações foram obtidas com investigados soltos, diz Janot

79% das delações foram obtidas com investigados soltos, diz Janot

Informação do procurador-geral da República, sabatinado no Senado, derruba tese de defensores de alvos da Lava Jato, que alegam que as colaborações foram obtidas a partir de mandados de prisão

Redação

26 de agosto de 2015 | 10h58

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt, Talita Fernandes, Beatriz Bulla e Ricardo Brito

Em sabatina no Senado na manhã desta quarta-feira, 26, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelou que 79% das delações premiada feitas no âmbito da Operação Lava Jato foram obtidas com investigados soltos. Apenas 21% das colaborações, segundo o chefe do Ministério Público Federal que busca sua recondução ao cargo, foram realizadas com investigados presos.

Segundo o procurador-geral, ‘entre 50 e 60’ delações já foram realizadas ou estão em curso na Lava Jato.

‘Eu teria que combinar com os russos’, diz Janot sobre acordão

A afirmação de Janot derruba tese recorrente de defensores de alvos da Lava Jato, que alegam que as delações foram ‘arrancadas’ a partir de mandados de prisão preventiva. “Colaboração premiada é instrumento poderoso”, afirmou Janot.

O procurador-geral ressaltou que o delator tem necessariamente de confessar a prática de ilícitos e o ato tem de ser espontâneo por parte do colaborador. A delação premiada é a alma da Lava Jato.

O primeiro colaborador foi o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que firmou seu acordo em agosto de 2014 e apontou o envolvimento de deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares no esquema de propinas na Petrobrás. Depois dele, dezenas de outros investigados resolveram falar.

Rodrigo Janot está sendo sabatinado no Senado nesta quarta-feira, 26. Após vencer com folga a eleição do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para ser reconduzido ao cargo de procurador-geral da República.

Seu nome ainda deve ser chancelado pelo Senado nesta quarta-feira e a expectativa é de que mesmo com 13 dos 81 senadores investigados na Lava Jato, apenas Fernando Collor (PTB-AL) adotará tom crítico ao procurador. Collor está sentado na primeira fila de senadores.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.