74% dos brasileiros são contra doações eleitorais de empresas, diz pesquisa

Levantamento feito a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mostra que, para a maior parte da população, repasses de empresas para partidos e políticos está associada a corrupção

Redação

06 de julho de 2015 | 21h50

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A maioria dos brasileiros é contra as doações de empresas para campanhas eleitorais. As informações são da pesquisa Datafolha encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e divulgada nesta segunda-feira, 6. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados são contrários ao financiamento empresarial de partidos e políticos.

Apenas 16% são favoráveis a prática, enquanto 10% não opinaram. O levantamento aponta ainda que a rejeição às doações eleitorais de empresas é maior entre as pessoas que possuem ensino superior (80%) e ganham entre 5 a 10 salários mínimos (82%). Outro dado relevante mostrado pelo estudo é que, para 79% dos entrevistados o financiamento de partidos por empresas privadas estimula a corrupção. Para 12% contudo, a prática não tem relação com a corrupção, enquanto 3% acredita que a medida combate a corrupção e 6% alega não saber se a prática diminui ou aumenta a corrupção.

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Julgamento sobre legalidade de doações de empresas a partidos e candidatos está parado no Supremo

A pesquisa também levantou os partidos dos entrevistados e constatou que os que se declararam favoráveis ao PSDB e a “outros partidos” são que o proporcionalmente mais apoiam a iniciativa, chegando a 22%. Dos que se declararam favoráveis ao PT, 20% apoiam as doações e para os favoráveis ao PMDB o porcentual é de 19%. Ainda assim, os contrários a medida são maioria tanto dos eleitores do PT e do PSDB (75% contrários as doações) quanto do PMDB (77% contrários).

O Datafolha ouviu 2.125 entrevistados, entre os dias 9 e 13 de junho, em 135 municípios de todas as regiões do País. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O levantamento foi feito a pedido da OAB no momento em que o Supremo julga a Ação Direta de Constitucionalidade movida pela entidade contra as doações empresariais para campanhas. A maioria dos ministros da Corte já se manifestou contra as doações, mas o caso está parado há mais de um ano devido ao pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que afirmou que vai retornar o tema à pauta neste segundo semestre.

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