30 anos do ‘www’: caímos na teia e mudamos a forma de comunicar e trabalhar

30 anos do ‘www’: caímos na teia e mudamos a forma de comunicar e trabalhar

João Carlos Guirau*

17 de março de 2019 | 09h00

João Carlos Guirau. FOTO: RENATO GASPARETTO/ESTUDIO UNIQUE

Historicamente, a internet como infraestrutura de rede de computadores, surgiu no final da década de 1960, mas a forma como poderíamos utilizá-la para propor novas formas de relacionamento e interação entre as informações surgiu em 12 de março de 1989 nas mãos do Prof. Tim Berners-Lee e em 12 novembro de 1990, ele desenvolveu o primeiro browser para acesso às informações armazenadas e estruturada por hiperlinks.

Na década de 90, tive a oportunidade, ao trabalhar na Fiesp, de participar do surgimento da internet no Brasil e participei do processo de disseminação desta nova “rede”, com profissionais como Demi Getschko, Cassio Jordão Motta Vecchiatti entre tantos outros que ajudaram a instalar e disseminar a rede para o domínio público, proporcionando um dos primeiro acesso às empresas, este restrito até então ao mundo acadêmico. A transformação que a internet causou em nossa sociedade encontra-se em andamento e com uma velocidade cada vez maior, nos levando a uma evolução ou melhor a uma transformação tecnológica jamais vista em nossa história.

Não conseguimos mais imaginar as nossas atividades diárias sem o uso da internet e de seus serviços. Novas formas de negócios surgem a cada dia tendo como base somente a utilização da internet para a realização de seus negócios. Você já parou para pensar como a internet impacta nas suas atividades diárias e de como tirar proveito disso para nos tornamos mais produtivos e, finalmente, conseguimos aquele “tempo a mais” que sempre nos falta em nossas vidas?

Começamos a utilizar os computadores com as tarefas mais simples, como escrever textos, realizar cálculos em planilhas e fazer apresentações e que ao longo do tempo fomos incorporando o uso do correio eletrônico e das tantas outras ferramentas que foram migradas ou surgiram com a internet. Com o surgimento das plataformas de serviços em nuvem, todas estas ferramentas migraram para a internet e hoje podemos utilizar todas a partir de uma assinatura de serviços e um browser para acessá-las.

Plataformas como Office 365, Gsuite, Zoho, entre outras, nos proporcionam acesso à estas ferramentas, sem precisarmos dispor de nossos próprios equipamentos, instalar programas, etc. Basta um meio de acesso – computador, tablet, smartphone e um lugar qualquer que nos proporcione o acesso à internet e pronto, temos acesso aos nossos arquivos, editamos nossos textos, atualizamos nossas planilhas, realizamos nossa apresentação, verificamos nossos e-mails, aliás, trocamos os e-mails, telefone por Skype, whatsapp, sem maiores dificuldades ou apegos.

Vejo que atualmente um dos maiores desafios que nos deparamos, para encararmos estas mudanças, não está no uso destas ferramentas, da tecnologia, mas na cultura das pessoas, no processo de colaboração e compreensão do uso da tecnologia. Podemos considerar, que nossa sociedade está dívida em dois grandes grupos: os tecnológicos e os digitais.

O grupo tecnológico acompanhou desde a década de 90, o surgimento e a disseminação do uso dos computadores nas atividades empresariais e cotidianas, ainda mais rápida a partir de 1995 com o surgimento da Internet comercial. Somos usuários de um computador cuja interface para utilizá-lo se resumia a uma tela verde, com um cursor piscando, mais ou menos assim – C:/> – , até o surgimento das interfaces gráficas com o Windows 3.11 e o Mac OS.

Fomos incorporando novos hábitos e ferramentas na mesma medida em que os computadores ficavam mais poderosos, as interfaces mais simples e intuitivas, e recursos como o mouse, facilitaram seu uso, mas foi preciso aprender como utilizá-los.

Nossa forma de comunicação, essencialmente, permanecia com a utilização de textos e imagens estáticas e eventualmente algum efeito de animação. Essa nossa bagagem tecnológica desenvolveu hábitos, costumes, que são difíceis de abandoná-los, pois estão arraigados em nosso jeito de ser e modo de utilizar a tecnologia.

Os digitais – a partir dos Geração Z – 1995 – já nasceram com o uso de interfaces gráficas, interativas e atualmente, se cercam de inúmeros dispositivos digitais, assistentes pessoais computadorizados e interagem com eles por voz, gestos, movimento de olhos, face, etc.

Dessa forma, conseguem uma maior interação com estes dispositivos e se comunicam de novas formas, através de redes sociais, e utilizam de meios multimídias como fotos, sons, vídeos, símbolos como emoticons e emojis, disseminando informações e trabalhando de forma colaborativa, podendo ainda fazer o uso de realidade expandida ou virtual, criando assim um universo totalmente novo, sem precisar na maioria das vezes, de um treinamento, pois tudo é muito intuitivo. Vejam o uso de um tablet ou smartphone por uma criança. Parece que já nascem sabendo interagir com estes dispositivos antes mesmo de falarem.

A ideia de um mundo de criação coletiva, onde o usar de forma racional é mais importante que o ter, afeta diretamente a forma com que as pessoas interagem entre si e com a tecnologia. Temos que “desaprender” para aprender novamente para poder tirar proveito de tudo que a tecnologia ou a www ainda irá nos proporcionar.

*João Carlos Guirau atua há 31 anos na na área de tecnologia da informação, com ênfase em redes de computadores. É proprietário da BlockTime Tecnologia

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