2022: o ano da diversidade nas empresas brasileiras

2022: o ano da diversidade nas empresas brasileiras

Francine Malessa e Mariana da Rosa*

15 de janeiro de 2022 | 04h00

Francine Malessa e Mariana da Rosa. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Pesquisas já mostram que diversidade e inclusão são cada vez mais essenciais em ambientes corporativos. No Brasil, o tema está chegando com força, mas ainda sem percebermos mudanças nas organizações. Para 2022, não será mais possível fugir deste tema: será o ano da diversidade nas empresas brasileiras. São três aspectos que nos levam a afirmar isto: a consolidação de boas práticas sociais e de governança; um novo perfil de consumo e negócios; e a consolidação de um movimento global.

Diversidade & Inclusão (D&I) fazem parte dos princípios ASG – Ambiental, Social e Governança (ESG em inglês), estando incluídas nos pilares Social e de Governança, sendo, também, critérios considerados por investidores que utilizam o modelo para avaliar o impacto de um investimento. Quanto ao Social, a inclusificação melhora principalmente as condições de trabalho, respeita direitos humanos e promove impacto na comunidade onde a empresa está inserida. E, ao adotar critérios de diversidade na escolha de membros da alta

administração/direção, garantir remuneração justa e racional, bem como combater casos de assédio, discriminação e preconceito, a empresa também promoverá a boa governança.

De acordo com pesquisa conduzida pela PwC, até 2025, 57% dos ativos europeus estarão em fundos que adotaram ASG como princípios corporativos. Além disso, 76% dos participantes do mesmo estudo afirmaram considerar o tema de ASG antes de realizar o seu investimento. De acordo com a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em 2020 havia três vezes mais investimento em fundos ASG.

Se de um lado o mercado financeiro já demonstra mudança de hábitos e critérios focados em práticas empresariais que também consideram a diversidade, de outro temos a cadeia de valor e o consumidor. Pesquisa realizada pelo LinkedIn mostra que, segundo o estudo Cenário de Vendas no Brasil 2021, 88% das empresas brasileiras preferem fazer negócios com companhias que tenham a diversidade como pilar essencial.

Já a consultoria KPMG divulgou uma lista com  as 10 principais tendências para a indústria de consumo e varejo no Brasil em 2022, apontando o cliente no centro dos negócios. O levantamento vai ao encontro de outro estudo, da Accenture Strategy, que revela que 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que defendem propósitos alinhados aos seus valores de vida, dispensando marcas que preferem se manter neutras.

Por último, acompanhamos uma mudança sólida em países desenvolvidos como o Canadá, considerado um dos mais inclusivos e diversos para se trabalhar. Na França, a Schneider Electric, líder global na transformação digital em gestão da energia elétrica e automação, está entre as 50 principais empresas do Índice de Diversidade e Inclusão da Universum. Já a sociedade alemã é caracterizada pelo pluralismo de estilos de vida e pela diversidade etnocultural. Os papéis tradicionais entre homens e mulheres foram eliminados. Através das medidas de inclusão, as pessoas com deficiência têm maior participação na vida social. No Brasil, as companhias que acompanham este movimento já começam a colher frutos. A Tim é a primeira empresa brasileira no ranking Refinitiv Diversity & Inclusion Index de 2021, que mede o desempenho de mais de 11 mil empresas — o equivalente a 80% do mercado global.

O que estes dados todos apontam? Mais do que apenas criar campanhas que celebrem a diversidade, vai ser necessário investir nisso com seriedade. Palestras, treinamentos, contratações, promoções e discursos precisarão estar alinhados em torno de D&I. Mais do que criar postagens com linguagem neutra – que já é uma forma de mostrar interesse pelo assunto – será essencial aplicar no dia a dia as práticas que já estão sendo feitas em muitos países.

*Francine Malessa e Mariana da Rosa, diretoras da Alteritat Consultoria de Comunicação e Diversidade

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