2021: vacina também para a retomada dos empregos no Brasil

2021: vacina também para a retomada dos empregos no Brasil

Antonio Florencio de Queiroz Junior*

21 de dezembro de 2020 | 07h00

Antonio Florencio de Queiroz Junior. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em um momento em que o número de mortos chega a quase 180 mil no Brasil, já é possível ter conclusões para além dos aspectos médico e sanitário desta terrível pandemia. Uma delas é que um país também é capaz de ficar doente, infelizmente.

É certamente enfermo um país que convive com um recorde de mais de 14 milhões de desempregados (14,6% da população economicamente ativa, conforme dados do terceiro trimestre), com inflação ensaiando apresentar alta e com todos nós dividindo-se entre a expectativa do boom do pós-vacina e a necessidade de lidar com os graves e urgentes problemas de agora.

Assim como em relação às vidas humanas, a vacina contra a Covid-19 também será providencial, e muito, para a economia do país.

Em toda e qualquer discussão sobre esta pandemia, a prioridade absoluta é, claro, a saúde pública. Mas é possível, também, ver com bons olhos que 2021 pode ter na vacina um caminho para fazer a economia andar – leia-se, a capacidade de gerar empregos. E o emprego, é importante sempre dizer, é o melhor programa social que existe.

Há uma série de demandas represadas, investimentos congelados, planos adiados que podem, enfim, voltar a ganhar fôlego no ambiente de negócios do país. E não falo aqui apenas de grandes corporações. Isso vale tanto para IPOs na Bolsa de Valores quanto para o pequeno comerciante que tinha planos de expansão e, óbvio, preferiu não arriscar em 2020. Ou, claro, daqueles que infelizmente perderam emprego e renda na pandemia e agora esperam algum tipo de oportunidade com a retomada econômica.

As vacinas devem servir como gatilho para o otimismo com dias mais próximos da normalidade que vinha nos guiando até o início de março, quando o país conheceu seu novo inimigo. Afinal, a vacina é a notícia que queríamos ouvir desde que percebemos que a pandemia era muito mais do que um jargão das autoridades sanitárias.

Outros países já estão na nossa frente, pisando em terreno mais seguro para seguirem em frente. O Brasil não pode ficar para trás. Emprego é o que vai nos colocar na mesma rota que eles. Priorizar o emprego é priorizar o bem-estar da população. Um dos elementos que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é a renda. Ou seja, o emprego está diretamente associado à percepção de dias melhores.

Mais que isso, uma teoria desenvolvida pelo economista americano Arthur Okun, na década de 1960, aponta a relação direta entre Produto Interno Bruto e taxa de desemprego. A redução do desemprego depende, diretamente, do crescimento do PIB. A roda precisa girar, portanto. Investimentos precisam acontecer. E a vacina é o estimulante que falta para que isso ocorra sem receios – e, claro, com segurança.

Em suma, 2021 deve ser o ano em que começaremos falando de vacina para terminar celebrando números mais alentadores no emprego da população brasileira. O brasileiro merece ter um ano seguro e protegido. E, se possível, com um emprego.

*Antonio Florencio de Queiroz Junior é presidente da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro)

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.