2020 começa com acirramento de ânimos entre EUA e Irã

2020 começa com acirramento de ânimos entre EUA e Irã

Carlos Arouck*

15 de janeiro de 2020 | 12h00

Carlos Arouck. FOTO: DIVULGAÇÃO

Imagine um Irã com armas nucleares, uma das maiores reservas de petróleo do mundo, apoio da Rússia e com o firme propósito de difundir ao máximo a ideologia de fanatismo teocrático xiita, amparado pela força da Guarda Revolucionária Islâmica comandada por Suleimani. Muitos ainda se perguntam porque o presidente norte-americano não se limitou a negociar questões envolvendo somente o armamento nuclear do país e optou por neutralizar o general. Sem Suleimani e seu enorme poder, a violência contra os Estados Unidos e seus aliados, em especial Israel, pode continuar, mas fica bem mais difícil de ser conduzida.

Suleimani era, também, responsável por operações militares clandestinas no exterior. Essa foi a forma encontrada de levar as bases da revolução iraniana a outros países, como Síria, Iraque, Líbano, entre outros. Conseguiu tornar a organização terrorista Hezbollah ainda mais perigosa e recebeu em contrapartida ajuda na difusão da influência do Irã em território libanês e em todo o mundo árabe. Mesmo com todas as restrições que lhe eram impostas.

Até o momento de sua morte, Suleimani apostava que os EUA não iriam revidar os ataques de suas milícias do mesmo modo que os governos estadunidenses anteriores. Enganou-se. Obama, por exemplo, tentou negociar uma postura pacífica junto ao Irã com relação ao Oriente Médio. No decorrer dos anos, ficou clara a intenção de Suleimani de manter sua estratégia ofensiva e de dominação. Crescia o império do medo e o planejamento de ataques. Com sua morte, há chances de uma reviravolta e consequente enfraquecimento a República Islâmica. Há, por outro lado, promessas de retaliação, vingança e morte, além da transformação de Suleimani em mártir e de acusações à quebra da soberania nacional. O receio de uma alta nos combustíveis é o menor dos males.

Nota do Itamaraty manifestou “apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”, mas condenou igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá. Israel deu os parabéns a Trump, Rússia criticou o ato e a maioria das nações pediu serenidade e prudência nesse momento.

Contra as alegações de possibilidade de eclosão de uma Terceira Guerra Mundial, existem as poucas chances de um ataque direto do Irã aos Estados Unidos da América, frente a maior possibilidade de uma operação não convencional ou de ataques a outros aliados dos americanos. Se a tensão entre os dois países está em seu ponto máximo, a afirmação de Trump de que o Irã jamais terá armamento nuclear pode ser um alento. 2020 começa com todas as atenções voltadas para o conflito. O poder de dissuasão dos EUA retoma sua força.

*Carlos Arouck, policial federal, é formado em Direito e Administração de Empresas, instrutor de cursos na área de proteção, defesa e vigilância, consultor de cenários políticos e de segurança pública, membro ativo de grupos ligados aos movimentos de rua

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