20 de abril: Dia do Diplomata. A importância do diálogo em meio à pandemia

20 de abril: Dia do Diplomata. A importância do diálogo em meio à pandemia

Maria Celina de Azevedo Rodrigues*

20 de abril de 2021 | 06h00

Embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues. FOTO: DIVULGAÇÃO

Nessa mesma data, há um ano, e no início do flagelo causado pela Covid-19 que assolava pessoas no mundo todo, a celebração do dia mais marcante para os integrantes da carreira diplomática já anunciava desafios inéditos e profundos, e uma enorme necessidade pela busca de cooperação, de solidariedade e de urgentes providências voltadas para o combate ao novo coronavírus.

Em meio às graves consequências que ainda afligem populações inteiras, nunca estive tão certa sobre a importância fundamental da atuação dos diplomatas no enfrentamento da pandemia, tanto no campo da política externa propriamente dita, quanto no científico, no econômico, no político e no humanitário.

Como porta-voz da entidade que representa mais de 1.600 diplomatas brasileiros, chamo a atenção para um aspecto que, nos dias atuais, tornou-se ainda mais relevante para o êxito da atuação diplomática no exterior: a habilidade ímpar na comunicação. Para nós que somos da carreira e para os conhecedores dessa tradicional profissão, parece óbvio que todo diplomata, logo no início de sua formação, ainda no Instituto Rio-Branco, seja treinado para manter diálogo fluido e eficiente com os mais variados interlocutores e em circunstâncias frequentemente adversas.

Ressalto, no entanto, que, em meio ao caos instaurado durante uma das maiores crises sanitárias já vivenciadas pela humanidade, a capacidade de reinventar a comunicação com os nossos principais públicos-alvo, entre os quais se destaca a população brasileira, constitui uma das principais explicações para o sucesso de nossa atuação. Trata-se de momento extremamente desafiador, considerando a disputa de narrativas, interesses individuais, políticos, econômicos, entre outros aspectos que envolvem as nações e, consequentemente, a diplomacia de maneira universal.

Onde há crise, no entanto, há oportunidades. Em termos práticos, esse é um dos momentos em que o Brasil e a comunidade internacional clamam para que a diplomacia brasileira se desempenhe com as características que sempre marcaram nossa reputação. Refiro-me, sobretudo, à grande habilidade dos nossos diplomatas em construir pontes para consensos internos e externos por meio do diálogo focado em soluções concretas para o enfrentamento de todo tipo de crises.

Os princípios constitucionais que regem a diplomacia brasileira são claros e sólidos. Destaco, em particular, os artigos II (prevalência dos direitos humanos) e o IX (cooperação entre os povos para o progresso da humanidade), que hoje estão no centro dos debates. Nesse sentido, como representantes de uma carreira de Estado, não poupamos esforços diários para mitigar os danos causados pela pandemia e ajudar o país a superar a crise atual em todas as suas vertentes.

Nesse dia de especial importância para os diplomatas, reafirmamos, portanto, nosso inabalável compromisso com o povo brasileiro na busca de soluções, por meio de diálogo transparente e verdadeiro, marcado por propósitos firmes. Historicamente, nossa atuação vem construindo um legado valioso em termos de respeito a outras nações e ao multilateralismo, sempre levando em conta os interesses e os direitos de cada cidadão brasileiro. Dessa vez, não será diferente: com base na experiência e na sólida formação que possuímos, intensificaremos ainda mais nossa atuação, abrindo caminhos onde há bloqueios; encontrando respostas onde há incertezas; incrementando o diálogo onde há divergências.

*Maria Celina de Azevedo Rodrigues, embaixadora

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