‘140.000,00: Pé’

‘140.000,00: Pé’

Veja os manuscritos que a Polícia Federal apreendeu na casa de um 'operador de propinas' do esquema Sérgio Cabral com supostos registros de propinas para o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, do PMDB

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

15 de fevereiro de 2017 | 10h20

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Na residência de um dos homens de confiança do peemedebista Sérgio Cabral (PMDB), a Polícia Federal apreendeu manuscritos que indicariam repasses de propinas para o governador do Rio Luiz Fernando Pezão, também do PMDB. ‘140.000,00 PÉ’, destaca uma anotação que inclui outros 32 lançamentos de valores destinados a outros nomes.

“Possível referência a propina de R$ 140 mil a sair a ser paga a Pezão”, diz a PF em relatório do delegado Antonio Carlos Beabrun Júnior, enviado à Justiça Federal no dia 9 de fevereiro.

Documento

Em outro documento, a menção ao governador é mais direta. ‘50.000,00 Pezão’.

A PF sugere ao juiz federal Marcelo Bretas, das Operações Calicute e Eficiência – que miram em Sérgio Cabral e seus aliados – o encaminhamento dos manuscritos ao Superior Tribunal de Justiça, Corte que detém competência para abrir eventual investigação contra governador.

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Os bilhetinhos com registros de cifras supostamente pagas a políticos, entre eles Pezão, foram encontrados em um apartamento no Botafogo, zona sul do Rio, onde reside Luiz Carlos Bezerra, apontado como ‘operador de propinas’ do ex-governador Sérgio Cabral – ambos foram presos em novembro da 2016 na Operação Calicute, que desmontou esquema de propinas milionárias para o peemedebista e a organização criminosa que ele teria dirigido.

“Em análise do material físico apreendido na residência de Luiz Carlos Bezerra, que fora preso nesta operação, verificaram-se alguns escritos que podem servir de elementos probatórios que vinculam o governador atual do Estado do Rio de Janeiro Luiz Fernando de Souza, mais conhecido como Luiz Fernando ‘Pezão’, no possível esquema de recebimento de propina de um dos operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral, também preso na Operação Calicute”, diz o relatório, por meio do qual a Polícia Federal sugere envio dos documentos ao Superior Tribunal de Justiça.

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COM A PALAVRA, PEZÃO:

Por meio de sua Coordenadoria de Imprensa, o governador do Rio esclareceu.
“Sobre relatório da Polícia Federal, o governador Luiz Fernando Pezão informa que continua à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos a respeito das investigações. Pezão ressalta que suas contas já foram analisadas em processos anteriores da Polícia Federal, e estes foram arquivados.”

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