12 de junho – Dia do “Eu estou feliz”

Emanuela Carvalho*

12 de junho de 2017 | 16h02

Dar nomes às coisas. Uma das metas do ser humano. Precisamos nomear, classificar, justificar, organizar, como se a vida fosse uma imensa prateleira, cheia de caixinhas à espera do que vamos guardar.

E por quê? De onde vem essa necessidade?

Se isso fosse restrito apenas às coisas, ainda sim seria estranho, mas não… queremos dar nomes também aos sentimentos. Eis que surge o subjetivo, no auge da sua função, tentando loucamente barrar o nosso lado esquerdo racional do cérebro, gritando que é hora de parar.

Nem sempre o obedecemos. Vivemos preocupados com o que sentimos, esquecendo-nos que muitas vezes nem sabemos nos definir. E vamos além, queremos definir o outro, quem é o outro, o que ele sente, o que ele quis dizer com determinada frase, olhar, gesto, expressão facial. É a louca e ansiosa espera por respostas… que tantas vezes nem perguntas têm.

O jogo se inverte.

Não perguntamos, mas queremos respostas. Somos perguntados, não sabemos o que dizer, e tudo gira em torno da necessidade de dar nomes ao que sentimos. É amor? Paixão? Desejo? Atração? Admiração? É para sempre?

Sinceramente, não sei qual fonte segura deve ser procurada para responder essas questões quando não encontramos essas respostas dentro de nós mesmos.

E como se já não fosse complexo nomear os sentimentos, é preciso nomear as relações. Num importante programa dominical de TV o apresentador perguntou a uma participante, possivelmente inspirado pela véspera do dia dos namorados: você está namorando? Ela gaguejou e em seguida disse que não sabia. É isso. Ela não sabia como definir a sua relação.

O que diferenciam os relacionamentos? Não levanto as questões jurídicas que envolvem as uniões estáveis, falo sobre a decisão de intitular uma relação, por exemplo, como “namoro”. E é nesse momento que ter um título ultrapassa em importância a presença do outro em nossa vida e o que isso representa.
Há tantas pessoas vivendo uma amarga solidão a dois… porque estar só não é um problema, mas ficar sozinho com alguém ao lado é sofrido, machuca, decepciona, mina os sonhos de uma relação feliz. Mas se entre quatro paredes você está solitária-acompanhada e isso lhe deixa infeliz, por outro lado, você tem alguém para chamar de seu. Consequência da dependência em dar satisfações.

E voltamos à questão do que representa ter alguém em nossa vida. A visão romântica nos faria idealizar uma série de atributos… mas o cotidiano e a rotina nos mostram que nem tudo são flores. Só que, apesar das dificuldades, da falta de tempo, das falhas de comunicação que tanto atrapalham os relacionamentos, é fácil de identificar o que significa ter alguém ao lado, e o primeiro sinal é a amizade. Até a alma fica feliz em saber que há alguém, perto ou longe, para dividir os sonhos e objetivos, para ouvir umas reclamações e frustrações com o trabalho, para massagear o ego com algumas e simples palavras.

É, sob a ótica pessoal, o mais significativo. Mas tudo isso é acrescentado pelo desejo, a vontade de estar junto, dividindo a intimidade, as descobertas um do outro… esse desejo é a mola que impulsiona, leva adiante, mesmo com pausas entre os obstáculos. Há ainda o amor, o querer, a paixão, a saudade, o medo de perder, o ciúme, o arrepio no corpo ao leve toque dos dedos. Há tanto, mas tanto… que é difícil aceitar que qualquer nome, definição, justificativa, ultrapasse os sentidos.

E o que fazer quando alguém lhe pergunta sobre o seu relacionamento e você não sabe o que dizer, por falta de definição? Não se permita ficar sem fala diante do nome que ele ainda não tem… pense no que importa para você e chegando à conclusão de que há alguém ao seu lado que é um plus em sua vida, não tenha medo de assumir quando lhe perguntarem se você está namorando. Responda para quem quiser ouvir: Eu estou feliz!

*Emanuela Carvalho é professora e autora do livro “Antes Feliz do que Mal Acompanhada”

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