03 pede desculpas

03 pede desculpas

Depois de sugerir em entrevista 'um novo AI-5', o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou, em suas redes sociais, afirma que 'não tem porque descambar para autoritarismo'

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

31 de outubro de 2019 | 19h33

Estão interpretando de maneira errada o que eu disse sobre o AI-5. Não há a possibilidade de retorno do AI-5 atualmente. Vivemos sob a égide da constituição de 1988 e eu fui eleito democraticamente, não há motivo para se imaginar em radicalizar. Igualmente sigo sendo parlamentar, meu trabalho é falar, parlar e é para isto que temos imunidade.

Publicado por Eduardo Bolsonaro em Quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Após afirmar que, ‘se a esquerda radicalizar, a resposta pode ser via novo AI-5’, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) pediu desculpas, por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. “Não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5”.

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, Eduardo defendeu medidas radicais – como ‘um novo AI-5’ – para conter manifestações de rua como as que ocorrem no Chile atualmente.

O AI- 5 foi o Ato Institucional mais duro instituído pela repressão militar nos anos de chumbo, em 13 de dezembro de 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Também suspendeu quaisquer garantias constitucionais, como o direito a habeas corpus, e instalou a censura nos meios de comunicação. A partir da medida, a repressão do regime militar recrudesceu.

“Primeiro de tudo, não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5. E a minha posição é bem confortável. E eu não fico nem um pouco constrangido de pedir desculpa a qualquer tipo de pessoa que tenha se sentido ofendida ou imaginado o retorno do AI-5”, disse.

Segundo Eduardo, ‘esse não é o ponto que tivemos hoje no contexto atual do Brasil’. “A gente vive num regime democrático. Nós seguimos a Constituição. Inclusive, esse é o cenário que me fez ser o deputado mais votado da história. Então, não tem por que eu descambar para um autoritarismo”.

“Eu tenho a meu favor a Democracia. Agora, é óbvio que a oposição vai tentar pegar esteira na minha fala para tentar me pintar como um ditador. Mas eu digo aqui: pode ter sido resposta infeliz. Se pudesse refazê-la, faria sem citar o AI-5 para mudar essa polêmica toda. Mas, nós, parlamentares, temos garantido na Constituição o direito à imunidade parlamentar por opiniões, palavras e votos. É a imunidade não para roubar. É imunidade para falar. Assim, você conhece melhor o seu representante e vai ter a oportunidade de votar nele ou não votar nele”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

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