02 da PF contradiz Ramagem e diz que chefe da Abin de Bolsonaro o convidou para o cargo

02 da PF contradiz Ramagem e diz que chefe da Abin de Bolsonaro o convidou para o cargo

Em seu novo depoimento no inquérito Moro contra Bolsonaro, delegado Carlos Henrique de Oliveira, diretor-executivo da Polícia Federal, contrapôs Alexandre Ramagem que não abordou em depoimento suposto convite feito ao ex-chefe da PF no Rio, afirmando apenas que 'poderia manter' Oliveira no comando da corporação fluminense ou ‘elevá-lo para uma posição superior’

Pepita Ortega e Fausto Macedo

20 de maio de 2020 | 09h35

O delegado Carlos Henrique Oliveira e Alexandre Ramagem. Fotos: Sinpefpe e Agência Senado

Logo no primeiro momento do segundo depoimento que prestou à Polícia Federal na tarde desta terça, 19, o novo 02 da corporação e ex-chefe da PF no Rio Carlos Henrique Oliveira afirmou que no dia 27 de abril foi procurado pelo delegado Alexandre Ramagem – primeiro escolhido do presidente Jair Bolsonaro para o comando da PF – e questionado se aceitaria ser diretor executivo em sua gestão. Na manhã do dia seguinte, 28, respondeu que sim.

No entanto, no depoimento prestado no último dia 12, Ramagem não abordou a suposta conversa com Carlos Oliveira. Ao ser questionado se estava nos planos a troca na Superintendência do Rio caso tivesse assumido a direção-geral da PF, o delegado afirmou que ‘poderia manter’ Carlos Henrique Oliveira no comando da corporação no Rio ou ‘elevá-lo para uma posição superior’.

Trecho do depoimento de Ramagem. Foto: Reprodução

A colocação de Oliveira indica que a troca na Polícia Federal do Rio de Janeiro pré-acertada antes mesmo da posse de Ramagem no dia 29, data em que a nomeação do primeiro escolhido por Bolsonaro foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes sob entendimento de suposto desvio de finalidade do ato presidencial.

A mudança acabou sendo concretizada pelo novo chefe da corporação, Rolando de Souza, que nomeou o ex-chefe da PF fluminense para a diretoria executiva – uma promoção que foi vista por delegados como uma forma ‘estratégica’ de trocar o comando da Polícia Federal fluminense. Desde 2019, o presidente insiste na mudança.

No depoimento anterior, prestado no último dia 13, o ex-chefe da PF no Rio declarou que ‘nenhuma pessoa cogitada pela imprensa para ser o novo diretor-geral’ o procurou para que assumisse a diretoria-geral em Brasília. Oliveira pediu para ser ouvido novamente e sua primeira retificação foi para mencionar o suposto convite de Ramagem.

Trecho do novo depoimento de Carlos Oliveira. Foto: Reprodução

Do outro lado, o diretor da Abin justificou a indicação de que ‘poderia manter’ Oliveira no Rio ou ‘elevá-lo’ com o ‘relacionamento de trabalho’ com o novo 02 da PF. Além disso, ressaltou que não teve qualquer influência na sua nomeação como Diretor Executivo pelo novo diretor-geral da PF Rolando de Souza.

Antes, perguntado se Rolando de Souza chegou a lhe pedir indicação de nome para substituição da Superintendência no Rio, Ramagem afirmou que após ser barrado, o novo diretor-geral da PF e sucessor de Sérgio Moro no Ministério da Justiça André Mendonça, ‘tiveram ciência’, durante conversa, ‘de algumas idéias (de Ramagem) apenas a respeito de gestão para combate à criminalidade’.

Encontro sem objetivo específico

No novo depoimento, Oliveira declarou que no segundo semestre de 2019, a convite de Ramagem, participou de encontro com o chefe da Abin e o presidente. Segundo ele, não foi declarado nenhum objetivo específico para a audiência com Bolsonaro.

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