“Eu sou amigo, gosto do Léo Pinheiro”, diz Lula

“Eu sou amigo, gosto do Léo Pinheiro”, diz Lula

À PF, ex-presidente admite relações próximas com empreiteiro condenado na Lava Jato que teria bancado reformas milionárias no tríplex e no sítio atribuídos ao petista

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Juliz Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

14 Março 2016 | 14h09

Ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro. FOTO: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro. FOTO: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O ex-presidente Lula admitiu à Polícia Federal que é amigo do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS – condenado a 16 anos e quatro meses de prisão na Operação Lava Jato, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O depoimento de Lula foi dividido em vários capítulos, um deles relativo ao sítio Santa Bárbara, localizado no município de Atibaia, no interior de São Paulo. Durante ô depoimento do ex-presidente, realizado no dia 4 de março, quando Lula foi conduzido coercitivamente até o Aeroporto de Congonhas, o delegado da PF perguntou a ele sobre Léo Pinheiro.

A PF suspeita que o empreiteiro bancou reformas milionárias no tríplex 164/A no Condomínio Solaris, no Guarujá, e no Santa Bárbara. Outra linha de investigação mostra que o pecuarista José Carlos Bumlai – também preso e réu da Operação Lava Jato -, amigo de Lula, também participou das obras no sítio de Atibaia.

“Não sabe se ele participou da obra também?”, perguntou o delegado.

“Não sei, querido”, respondeu Lula.

“Se ele contribuiu para o…”, prosseguiu o policial.

“Não sei, querido.”

Em seguida, o delegado citou a OAS e outra empreiteira, Odebrecht, igualmente apontada como integrante do cartel que se instalou na Petrobrás para fraudes em licitações e propinas.

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“Sabe se a OAS ou a Odebrecht foi procurada pra fazer alguma obra lá (no sítio) antes ou depois?”, perguntou o delegado.

Lula fez ‘sinal negativo com a cabeça’ – gesto que repetira anteriormente, quando indagado sobre o empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin para socorrer o caixa do PT, em 2004.

A pergunta seguinte. “O sr. conhece o sr José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro?”

Desta vez, Lula fez ‘sinal positivo com a cabeça’.

O delegado foi adiante. “O sr. sabe qual é a profissão dele?”

Lula: “Conheço o Léo, ele era diretor-presidente da OAS.”

“O sr. sabe informar se ele já foi presidente… o senhor acabou de me responder. Em qual período ele foi presidente da OAS?”, perguntou o delegado.

“Não sei, querido”, disse Lula.

“O senhor sabe se foi há muito tempo, quando o senhor o conheceu, ele já era presidente da OAS?”

“Ele era a única pessoa da OAS que eu conheci.”

“Quando o senhor conheceu ele?”

“Faz muito tempo.”

“Muito tempo pode ser antes de o senhor ter sido presidente ou depois?”

“Antes de eu ser presidente. Não sei se você sabe que antes de ser presidente eu fui candidato muitas vezes, fui deputado federal, ou seja, portanto, eu participei… Você sabe quantos debates eu fiz com empresários pra convencê-los a votar em mim e não consegui conquistar, mas o Brasil inteiro, em cada Estado, em cada cidade?”

“O senhor se tornou amigo do Léo Pinheiro?”

“Eu diria que sou amigo e gosto do Léo Pinheiro.”
O delegado da PF perguntou. “Sabe dizer se ele teve alguma…Fez alguma reforma no sítio, autorizou?”
Lula disse. “Não sei