Vital Brazil desenvolve soro contra covid-19, mas medicamento ainda não foi testado em humanos
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Vital Brazil desenvolve soro contra covid-19, mas medicamento ainda não foi testado em humanos

Mensagens no WhatsApp e no Facebook enganam ao afirmar que substância teria 'eficácia de 100%' contra o novo coronavírus

Alessandra Monnerat

04 de janeiro de 2021 | 18h25

Mensagens que circulam no WhatsApp e no Facebook enganam ao afirmar que o Instituto Vital Brazil encontrou a cura para a covid-19 com “eficácia de 100%”. Na realidade, a instituição realiza pesquisa com um soro que apresentou bons resultados in vitro, mas ainda não foi testado em humanos — portanto, ainda não há dados sobre sua eficácia. Segundo o instituto, o estudo está em fase de “delineamento dos protocolos clínicos junto à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

A pesquisa teve início em maio, quando pesquisadores do Vital Brazil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e Instituto D’Or inocularam cavalos com uma proteína do novo coronavírus. Depois de sete semanas, verificaram que, em quatro dos cinco cavalos testados, um dos componentes do sangue — o plasma — tinha “de 20 a 100 vezes mais anticorpos neutralizantes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença”.

Pesquisador inocula vírus em cavalo. Foto: Divulgação/Instituto Vital Brazil

Nos testes em laboratório, o soro produzido bloqueou a ação do novo coronavírus. Depois de autorizada, a fase de ensaios clínicos terá 41 voluntários, de acordo com o Vital Brazil. O instituto também produz soros contra doenças como raiva e tétano e contra picadas de abelhas, cobras e outros animais peçonhentos.

Em algumas publicações no Facebook, a mensagem sobre o soro com “eficácia de 100%” é compartilhada junto com um vídeo da GloboNews de agosto de 2020. A reportagem mostra o desenvolvimento da pesquisa e deixa claro que ainda são necessários testes em humanos.

Medicamentos e vacinas precisam passar por várias etapas de pesquisa para serem aprovados. Em alguns casos, substâncias que têm resultados promissores in vitro podem não apresentar a mesma eficácia in vivo. É o que ocorre com a ivermectina: um estudo laboratorial conduzido pela Universidade Monash, na Austrália, identificou o potencial do medicamento de inibir a reprodução do novo coronavírus em culturas de células de primatas, mas o mesmo resultado ainda não foi confirmado em humanos.

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