Vídeo une informações descontextualizadas para contestar segurança de vacinas contra covid-19
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Vídeo une informações descontextualizadas para contestar segurança de vacinas contra covid-19

Número de reações adversas graves em imunizante da Pfizer/BioNTech está dentro do esperado, afirma especialista

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

07 de janeiro de 2021 | 19h04

Um vídeo que viralizou no Facebook compila notícias fora de contexto e informações enganosas para contestar a eficácia e a segurança das vacinas contra a covid-19. Nenhum dos casos citados, como a ocorrência de reações alérgicas nos Estados Unidos e no Reino Unido, afeta a confiança de especialistas em relação aos dados existentes sobre os principais imunizantes que estão sendo aplicados ao redor do mundo.

“Para vocês que estão com esperança nessas ‘vacinas’”, ironiza a postagem. Um leitor solicitou a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica, (11) 97683-7490.

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 6, os números observados na vacinação com o imunizante da Pfizer-BioNTech entre os dias 14 e 23 de dezembro de 2020. Em cerca de 1,9 milhão de americanos que receberam a vacina, apenas 21 apresentaram anafilaxia, uma reação alérgica grave. A média foi de 11,1 casos a cada milhão de doses.

Dados de vacina da Pfizer-BioNTech estão dentro do esperado, diz especialista. Foto: Reuters/Dado Ruvic

“Os dados estão dentro da margem esperada. É um número considerado normal para vacinas. O CDC vai continuar monitorando, claro, mas não é nada que justifique alteração na recomendação, na suspensão ou na conduta”, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). O CDC recomenda uma injeção intramuscular de epinefrina para tratar as suspeitas de anafilaxia, que ocorreram até 15 minutos após a vacinação em 71% dos casos.

O vídeo enganoso também relembra a morte, em outubro, de um voluntário brasileiro do teste da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, o médico João Pedro Rodrigues Feitosa. A causa, porém, foi uma pneumonia viral causada pela covid-19, sem qualquer relação com efeitos adversos do imunizante. Segundo veículos de imprensa, como a TV Globo, o médico estava no grupo controle, que recebe placebo no lugar da vacina.

Outro trecho contido na publicação apresenta uma entrevista do médico Paulo Porto Real à jornalista Leda Nagle. Ele diz, de forma equivocada, que duas pessoas morreram após receber a vacina da Pfizer no Reino Unido. A informação é falsa, e o próprio médico publicou uma errata em seu perfil no Instagram. 

Alterações genéticas

Na entrevista, Porto Real também questiona a segurança da vacina ao citar uma recomendação do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), que pediu aparelhos de desfibrilação e reanimação cardiopulmonar nos ambientes de imunização. De acordo com Renato Kfouri, no entanto, a medida é de praxe em qualquer vacinação no país europeu. “Lá, toda sala de vacina deve ter equipamentos de choque anafilático. Não é nenhuma recomendação especial para a vacina de covid-19”.

O conteúdo checado também apresenta um vídeo do médico Marcelo Parseghian, que alerta para supostas mudanças no DNA humano em decorrência da aplicação de vacinas contra a covid-19. Especialistas, porém, consideram impossível que um imunizante cause alterações genéticas. Não existe comprovação científica sobre essa hipótese, que vem sendo levantada por opositores da vacina em redes sociais.

Parseghian afirma que as vacinas contra a covid-19 aplicadas no mundo estão “pulando etapas”. A hipótese também é negada por Kfouri. O diretor da SBIm esclarece que as fases 1 e 2 dos testes clínicos foram unificadas, aceleração permitida pelo desenvolvimento de tecnologias de plataformas anteriores. “Continuaremos observando as vacinas, mas elas são extremamente seguras, tanto que estão sendo licenciadas. Não tem como ser diferente”. 

Como o Projeto Comprova já mostrou nesta checagem, a Organização Mundial de Saúde (OMS) garante que, apesar da rapidez com que as vacinas têm sido desenvolvidas, as pesquisas continuam a seguir os mais altos padrões de segurança. “Dada a necessidade urgente de vacinas contra a covid, investimentos financeiros sem precedentes e colaborações científicas estão mudando a forma como as vacinas são desenvolvidas”, diz a entidade.

“Isto significa que algumas das etapas do processo de pesquisa e desenvolvimento têm acontecido em paralelo, mantendo, ao mesmo tempo, padrões clínicos e de segurança rigorosos”, informa a OMS.

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