Vídeo mostra estudantes correndo de gás lacrimogêneo, e não de ‘vacinação obrigatória’
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Vídeo mostra estudantes correndo de gás lacrimogêneo, e não de ‘vacinação obrigatória’

Gravação que circula no WhatsApp mostra alunos nigerianos fugindo de escola após explosão de lata de gás de pimenta, em maio de 2019

Alessandra Monnerat

12 de março de 2021 | 12h12

Um vídeo que mostra dezenas de alunos uniformizados fugindo de dentro de uma escola tem sido compartilhado fora de contexto nas redes sociais. A gravação foi feita em maio de 2019, na Nigéria, e retrata a confusão após a explosão de uma lata de gás lacrimogêneo. Recentemente, o vídeo passou a circular com legenda que inventa que os alunos estariam fugindo de vacinação obrigatória contra a covid-19.

Leitores solicitaram a checagem desse conteúdo por meio do WhatsApp do Estadão Verifica: 11 97683-7490.

A gravação foi feita meses antes dos primeiros registros de casos de covid-19, em dezembro de 2019. As imagens em que estudantes pulam do primeiro andar da escola foram publicadas no canal de YouTube nigeriano Daily Trust TV. O apresentador afirma que 40 pessoas ficaram feridas na explosão de uma escola secundária de Porto Harcourt, capital do estado de Rios.

O jornal nigeriano The Guardian disse que a polícia local apurou que um jovem de 17 anos trouxe a lata de gás lacrimogêneo para a escola. Enquanto ele e os amigos brincavam com o apetrecho, ele explodiu. O estouro causou pânico, o que fez com que outros estudantes pulassem do primeiro andar da escola. A polícia acreditava que o aluno pegou o gás de pimenta de um tio que era policial.

A Nigéria recebeu no início de março 4 milhões de doses de vacina contra a covid-19 por meio do consórcio Covax Facility, aliança da Organização Mundial de Saúde (OMS). O país também aprovou o uso do imunizante Oxford/AstraZeneca em fevereiro. O Estadão Verifica não encontrou referência à obrigatoriedade de vacinação no site da agência de vigilância sanitária nigeriana.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em dezembro do ano passado que Estados e municípios podem decidir sobre a obrigatoriedade da imunização e impor restrições a quem recusar se vacinar contra a covid-19. Isso não significa que pessoas serão imunizadas à força ou sem consentimento.

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