Vídeo de grupo cantando Hino Nacional foi gravado em Miami em 2018, não em hospital onde Bolsonaro esteve internado

Vídeo de grupo cantando Hino Nacional foi gravado em Miami em 2018, não em hospital onde Bolsonaro esteve internado

Filmagem foi feita em local de votação para brasileiros na Flórida; presidente ficou internado por dois dias por obstrução intestinal

Alessandra Monnerat

06 de janeiro de 2022 | 13h56

Um vídeo que mostra dezenas de pessoas cantando o Hino Nacional circula fora de contexto no Facebook. A gravação foi compartilhada com a legenda “até no hospital o homem é aclamado” — dando a entender que a manifestação foi em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), que esteve internado recentemente no Vila Nova Star, em São Paulo, com obstrução intestinal. Na realidade, a filmagem é de 2018, da época das eleições presidenciais, em Miami, nos Estados Unidos.

No vídeo, dezenas de pessoas estão de pé em uma escada cantando o Hino Nacional. Algumas seguram a bandeira brasileira e vestem verde e amarelo. No início da gravação, a pessoa filma uma entrada com o nome Miami Dade College, uma faculdade na Flórida. Buscando por essas palavras-chave, encontramos uma publicação no YouTube de 7 de outubro de 2018 do mesmo vídeo. O autor da gravação explica que no campus há locais de votação para brasileiros que moram nos Estados Unidos.

A página Achei USA no Instagram publicou um vídeo do mesmo momento em que pessoas cantam o Hino Nacional, gravado de outro ângulo. Segundo reportagem do canal, 34 mil eleitores estavam aptos a votar na Flórida.

Bolsonaro recebeu no primeiro turno 58,7% dos votos de brasileiros no exterior. Em Miami, foram 72,85 % dos votos. Na segunda etapa de votação, o atual presidente recebeu 71% de eleitores fora do País.

O presidente recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira, 5, após dois dias de internação. O mal estar foi atribuído a um camarão não ingerido corretamente pelo presidente. Ele teve obstrução intestinal. Uma possibilidade de cirurgia chegou a ser cogitada, mas logo foi descartada. Bolsonaro viajou no mesmo dia para Goiás para uma partida de futebol beneficente com cantores sertanejos.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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