Vídeo de acidente com avião indonésio foi produzido em simulador

Vídeo de acidente com avião indonésio foi produzido em simulador

Trecho que aparece em postagens do Facebook foi retirado de um canal do YouTube que produz simulações de voo

Daniel Tozzi Mendes, especial para o Estadão

14 de janeiro de 2022 | 17h55

Em um vídeo que viralizou no Facebook, um avião da empresa Garuda Indonesia aparece com dificuldades para aterrissar. A aeronave gira e balança várias vezes ao se aproximar da pista de pouso. Ao final, o avião está intacto e os passageiros descem incólumes. Mas o vídeo é falso: as manobras foram produzidas por computação gráfica, em um game de simulação de voo.

 

As imagens mostram um avião da companhia indonésia aparentemente descontrolado enquanto se aproxima do solo de um aeroporto. A aeronave chega a colidir com o chão e segue sem estabilidade por alguns segundos, até parar totalmente. “O avião indonésio escapou por pouco com seus passageiros”, diz a legenda de um dos posts que compartilha o vídeo falso e, só no Facebook, já ultrapassou os 52 mil compartilhamentos. No post, não há nenhuma identificação sobre quando ou onde essa aterrissagem teria acontecido. 

O vídeo original foi postado no canal Bopbibun, do Youtube, que deixa claro que seus conteúdos são simulações. É possível assistir ao vídeo original abaixo, a partir de 5 minutos e 40 segundos. De acordo com a seção “sobre” do canal Bopbibun, os vídeos são criados em jogos como X-Plane 11, FSX, P3D e GTA 5. A descrição do canal avisa: “Eu não sou piloto nem um especialista em aviação. Apenas gosto de jogar em simuladores de voo, portanto, meus vídeos são apenas para fins de entretenimento”. 

Para chegar ao vídeo original, primeiro, fizemos uma busca no YouTube com os termos “Garuda Indonesia simulação aterrissagem”. Alguns dos primeiros resultados redirecionavam a vídeos do canal Bopbibun. A partir disso, conferimos alguns dos materiais postados no canal até encontrarmos o trecho idêntico ao que foi utilizado pelas postagens falsas nas redes sociais. Além disso, o Estadão Verifica pesquisou e não encontrou notícias recentes sobre casos de pousos forçados ou acidentes na aterrissagem envolvendo aviões indonésios. 

Em alguns trechos da aterrissagem retratada na simulação, fica claro que se trata de uma montagem. Em alguns momentos do vídeo, pode-se observar, por exemplo, o bico dianteiro do avião se chocando contra o solo e permanecendo intacto. O mesmo acontece com as asas e as rodas do trem de pouso em outros trechos.  

No vídeo viral, assim que a aterrissagem turbulenta termina, há um corte para uma outra cena, que mostra um desembarque forçado de emergência em um avião. Segundo a AFP, as imagens foram publicadas no perfil do jornalista Sinan S. Mahmoud, que se apresenta como correspondente iraquiano do jornal The National News.  

Segundo a postagem de Mahmoud, as imagens foram gravadas após pouso de uma aeronave da companhia iraniana Caspian Airlines. O desembarque de emergência teria ocorrido no dia 5 de janeiro, em uma estrada entre as cidades de Isfahan e Teerã, no Irã.

O site norte-americano de de notícias de aviação Simple Flying também relatou o ocorrido, e alguns dos vídeos incluídos no conteúdo são os mesmos divulgados no perfil do Twitter do jornalista. 


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.