Vídeo que mostra assassinato de mulher não é do Taleban, mas de outro grupo terrorista

Vídeo que mostra assassinato de mulher não é do Taleban, mas de outro grupo terrorista

Episódio ocorreu na Síria, em 2015, e não tem ligação com o movimento que tomou o poder no Afeganistão

Victor Pinheiro

23 de agosto de 2021 | 17h29

Postagens nas redes sociais distorcem o contexto de um vídeo que mostra o assassinato de uma mulher em via pública ao atribuir o episódio ao recente domínio do Taleban no Afeganistão. Legendas enganosas afirmam que a gravação teria sido feita logo depois de o grupo  tomar o poder do país, em agosto. A filmagem, porém, circula desde 2015 e mostra a atividade de uma facção terrorista na Síria. 

Por meio do mecanismo de busca reversa de imagens no Google, o Estadão Verifica identificou fragmentos do vídeo em sites de jornalismo profissional, como o jornal britânico The Independent e a revista digital Vice News. De acordo com o jornal, o vídeo foi obtido pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, que tem sede no Reino Unido, em 2015. 

A organização afirma que membros do grupo jihadista Nusra Front mataram a mulher por acusações de adultério. O caso ocorreu na cidade de Idlib, na região noroeste da Síria. Já uma verificação da agência AFP mostra que um site de notícias afegão chegou a noticiar o episódio em novembro de 2014. O mesmo vídeo também circulou com legendas enganosas em outros países, como Itália e Espanha, diz a checagem. 

O Nusra Front ficou conhecido como o braço da Al-Qaeda na Síria, mas rompeu vínculos com a organização fundada por Osama Bin Laden em 2016, mostra esta matéria da BBC. Atualmente, o grupo integra uma facção jihadista denominada Tahrir al-Sham que controla quase metade da província de Idlib, segundo informações da agência AFP

Apesar de o vídeo não representar uma ação do Taleban, o grupo tem um histórico de violência e repressão às liberdades das mulheres. O movimento prega uma interpretação rigorosa do código de leis islâmicas conhecido como sharia. No primeiro regime no Afeganistão, entre 1996 e 2001, mulheres eram impedidas de frequentar escolas e não podiam sair de casa ou trabalhar sem estarem acompanhadas por homens.

O Taleban também ficou marcado por aplicar punições públicas, incluindo apedrejamentos, amputações e açoitadas, a mulheres acusadas de adultério ou de transgredir outras normas do regime. O grupo tomou o controle de Cabul, capital do Afeganistão, em 15 de agosto

O Fato ou Fake e a Agência Lupa também checaram este boato. Leitores solicitaram esta verificação pelo WhatsApp (11) 97683-7490.

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