Vídeo em que Malafaia critica Bolsonaro é de 2017
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Vídeo em que Malafaia critica Bolsonaro é de 2017

Postagem viral usa gravação antiga para sugerir rompimento de pastor com campanha de 2018

Estadão Verifica

28 de outubro de 2018 | 15h31

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas de O Povo e Folha de S. Paulo. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

Não é verdade que o pastor Silas Malafaia “abriu os olhos” e “atacou” o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição de segundo turno, como diz a descrição de um vídeo publicado no dia 10 de outubro de 2018 em um canal de apoio à campanha petista no YouTube.

O pequeno texto que acompanha o vídeo também traz a hashtag #EleNão, nome de um movimento criado por eleitores contra Bolsonaro às vésperas do primeiro turno da eleição de 2018.

Como verificado pelo Comprova, o vídeo é verdadeiro, mas foi publicado pelo canal neste pleito de forma enganosa e fora de contexto, já que a filmagem é de mais de um ano atrás — e a informação sobre a data não é disponibilizada ao espectador de forma clara.

O próprio pastor desmentiu que teria rompido recentemente com Bolsonaro. Malafaia, que hoje faz campanha aberta para Bolsonaro, publicou um vídeo, em seu canal no YouTube, dizendo que o PT está “espalhando notícia falsa”.

“O PT pegou um vídeo meu lá de trás, quando eu tive um entrevero com o Bolsonaro, e espalhou agora para os evangélicos do Brasil como se meus olhos foram abertos e eu mudei de lado” (sic).

No vídeo enganoso publicado neste pleito, Malafaia aparece dizendo que, “assim como a turma da esquerda radical tem seus contratados para plantar notícia contra quem é contra eles, a turma da direita radical também tem. E se você não falar o que eles querem, mandam o pau em cima de vocês”.

Não há, entretanto, nem sequer a menção ao nome de Bolsonaro no trecho do vídeo antigo, republicado no início de outubro deste ano.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, o desentendimento entre os dois começou após Malafaia ser indiciado na Operação Timóteo, em fevereiro de 2017 — a Polícia Federal o citou sob suspeita de lavagem de dinheiro num esquema de corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral.

Ainda de acordo com o texto, Malafaia ficou magoado com Bolsonaro por achar que capitão reformado não ficou ao seu lado de forma enfática.

“Na tribuna da Câmara, achei que a defesa dele foi fraca. Ele sabe que não tive envolvimento algum com essa vagabundagem. Quem toma a pancada é que sabe a dor”, disse Malafaia à Folha de S. Paulo.

O vídeo enganoso publicado no começo de outubro teve, até a publicação deste texto, mais de 250 mil visualizações, e foi recebido com sugestão de verificação no WhatsApp do Comprova.

Neste sábado e domingo a equipe do Comprova se uniu a outras cinco agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, E-Farsas, Fato ou Fake e Projeto Comprova.

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