Vídeo em que bandeira do Brasil é queimada não tem relação com PT ou PCdoB
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Vídeo em que bandeira do Brasil é queimada não tem relação com PT ou PCdoB

Imagens tiradas de contexto também mostram os manifestantes gritando provocações contra os dois partidos

Pedro Prata

04 de novembro de 2020 | 14h34

O vídeo um protesto em apoio a uma greve de professores foi tirado de contexto nas redes sociais e viralizou como se mostrasse militantes do PT e do PCdoB queimando uma bandeira nacional. O post viral ignora que no próprio vídeo é possível ouvir os manifestantes gritando críticas aos dois partidos. Esta peça de desinformação circulou ao menos em Facebook, Twitter e Pinterest.

Foto: Reprodução

“Petistas e militantes do PCdoB queimando a bandeira do Brasil. Se você também se revolta com isso: compartilhe!”, diz a legenda do vídeo. As imagens mostram manifestantes em círculo gritando “Queima! Queima!”, enquanto dois homens posicionam bandeiras do Brasil em uma pequena fogueira.

O site E-farsas identificou imagens muito semelhantes em um vídeo publicado no Youtube em 4 de março de 2016. As imagens mostrariam um protesto, dois dias antes, em apoio a uma greve de professores no Rio de Janeiro. Alguns detalhes em comum entre as duas imagens, como uma bandeira da Palestina e uma igreja ao fundo, permitem concluir se tratar da mesma situação.

Frame do vídeo viral fora de contexto (esq.) e reprodução de vídeo originalmente publicado em 2016 (dir.). Foto: Reprodução | Mídia Coletiva/Reprodução

As postagens que atribuem o ato a PT e PCdoB ignoram que em determinado momento os manifestantes cantam uma provocação aos dois partidos mencionados: “O ditadura, cadê você? Está disfarçada de PT e PCdoB.”

Uma placa carregada por um dos manifestantes também sugere que o vídeo foi tirado de contexto. Isso porque ela traz críticas a Dilma e Lula, os últimos presidentes eleitos pelo PT, além do ex-governador Pezão e do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). “Fora Pezão! Vá com Paes e leve o Lula Dilma vez”, diz a placa em papelão.

Este conteúdo também foi checado pelo Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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