Vídeo do diretor da OMS foi tirado de contexto para validar discurso de Bolsonaro
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Vídeo do diretor da OMS foi tirado de contexto para validar discurso de Bolsonaro

Alerta de Tedros Adhanom Ghebreyesus não significa que entidade tenha deixado de apoiar o isolamento social como estratégia contra o novo coronavírus

Projeto Comprova

31 de março de 2020 | 19h48

Esta checagem foi produzida pela coalizão do Comprova. Leia mais aqui

Leia a versão em espanhol

Um trecho fora de contexto de uma fala do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), no qual ele alerta para os impactos econômicos do distanciamento social, tem sido compartilhado nas redes sociais de modo a referendar a posição do presidente Jair Bolsonaro sobre o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, contrária à implementação do isolamento social. O alerta de Tedros Adhanom Ghebreyesus, no entanto, não significa que a OMS tenha deixado de apoiar o isolamento social como estratégia contra o novo coronavírus.

Em sua colocação, feita durante coletiva de imprensa da OMS no dia 30 de março, Adhanom pede que os governos levem em consideração os impactos econômicos que um lockdown pode ter sobre as pessoas mais pobres. 

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Foto: REUTERS/Denis Balibouse

Ele respondia à pergunta de uma repórter da Índia sobre a crise humanitária que o país tem enfrentado em meio à pandemia. Na semana passada, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, impôs a 1,3 bilhão de habitantes a maior quarentena da história da humanidade. 

“Alguns países têm um forte sistema de bem-estar social e outros não”, disse. “Os governos devem ter em conta esta população; se estamos fechando ou se estamos limitando a movimentação, o que vai acontecer às pessoas que têm de trabalhar diariamente e têm de ganhar o pão de cada dia?”, questiona o diretor-geral da OMS.

Por conta da repercussão de sua fala, o diretor-geral da OMS esclareceu posteriormente, em sua conta de Twitter, que não quis dizer que os países não deveriam impor o distanciamento social para conter a disseminação da covid-19. Adhanom afirmou que os governos deveriam desenvolver políticas para proteger os mais vulneráveis. 

“Cresci na pobreza e entendo essa realidade”, escreveu. “Peço que os países desenvolvam políticas públicas para garantir proteção econômica àqueles que não podem ganhar dinheiro ou trabalhar em meio à pandemia da covid-19. Solidariedade!”

A fala de Adhanom não representou uma mudança de postura da OMS em relação ao isolamento social, como as publicações do vídeo da coletiva nas redes sociais insinuam. Em resposta à mesma pergunta feita pela repórter indiana, o diretor do programa de Emergências de Saúde da entidade, Michael Ryan, reforça a importância dos lockdowns para contenção da doença. 

“Infelizmente, em algumas situações neste momento, [lockdowns] são a única medida que os governos podem realmente tomar para conter este vírus”, disse Ryan. “É lamentável, mas essa é a realidade e precisamos explicar continuamente as razões para isso às nossas comunidades”.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro com o propósito de mudar o seu significado; que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano. 

Como verificamos

O Comprova consultou a transcrição oficial e o vídeo oficial da entrevista coletiva da OMS do dia 30 de março; além da conta oficial de Twitter de Adhanom e da OMS

Documento

Quem publicou o vídeo do diretor-geral da OMS?

O vídeo fora de contexto da fala de Adhanom foi publicado no dia 30 de março às 16h19 com legendas em português no Twitter pelo usuário @RFGlau, que usou o trecho para justificar as opiniões de Bolsonaro em relação ao isolamento social. A conta de @RFGlau foi criada em março deste ano e usa a mesma foto de perfil de outros dois perfis suspensos, @RafaGlau e @RFLGlau

O mesmo vídeo, com marca d’água de @RFGlau, foi republicado no mesmo dia pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por seus filhos Carlos (vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Social Cristão), Eduardo (deputado federal de São Paulo pelo PSL) e Flávio Bolsonaro (senador do Rio de Janeiro atualmente sem partido). Os deputados federais Osmar Terra (MDB-RS), Bia Kicis (PSL-DF) e Daniel Silveira (PSL-RJ) também divulgaram o clipe.  

O vídeo foi reproduzido ainda no canal de YouTube do pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro.

O que Tedros Adhanom Ghebreyesus disse sobre isolamento social de pessoas mais pobres? Leia a transcrição completa: 

Uma repórter da Índia fez a seguinte pergunta durante coletiva de imprensa da OMS direcionada ao diretor de Emergências, Michael Ryan:

“Dr. Ryan, deve estar ciente de que a Índia por conta de seu lockdown está testemunhando uma crise humanitária sem precedentes sob a forma de movimento de migrantes de uma parte do país para outro. Eu entendo que você não gosta de comentar sobre decisões individuais de país, mas esta é uma crise humanitária sem precedentes. Qual seria o seu conselho para o nosso governo?”

O diretor do programa de Emergências de Saúde da OMS, Michael Ryan, respondeu o seguinte: 

“Voltando ao que acredito ser a parte mais importante da sua pergunta, e que é sobre os impactos das quarentenas, restrições de movimento, número um, precisam ser vistas com muito cuidado e, dois, obviamente que independentemente da sua intenção, são difíceis de serem aceitas pelas comunidades porque as pessoas precisam se movimentar e querem se movimentar pelas famílias, por razões econômicas e outras razões.

É importante que os governos se comuniquem de forma aberta e transparente às pessoas sobre as razões de as quarentenas, fechamentos ou restrições ao movimento estarem acontecendo porque elas colidem com a liberdade de movimento das pessoas. E se as pessoas precisam abrir mão da sua liberdade de movimento, precisam entender porque isso está acontecendo. Restrições ao movimento são lamentáveis em todas as situações. Ninguém quer que elas aconteçam, mas em situações nas quais você tem uma epidemia muito, muito intensa em uma parte do país e em outra parte do país não é tão intensa assim, você pode precisar implementar algum tipo de medida para pelo menos encorajar – Às vezes é uma recomendação, às vezes é uma forte recomendação e às vezes é uma restrição na qual o transporte é suspenso.

Cada governo deve escolher o equilíbrio entre o que é recomendação para as comunidades e, em alguns casos, o que é uma quarentena forçada. Qualquer uma que seja escolhida, é importante que a comunicação e a aceitação da comunidade estejam no centro da preocupação do governo. É impossível ter uma efetiva restrição de movimento sem que a comunidade esteja de acordo com aquela restrição de movimento.

E, como o Tedros Adhanom Ghebreyesus disse no seu discurso, quando tais medidas são postas em prática é excepcionalmente importante que essas medidas sejam realizadas não só com a aceitação da população, mas também com os direitos humanos e a dignidade das pessoas afetadas no centro. Isso nem sempre é fácil, mas é o que deve ser o centro do objetivo do processo. Eu não estou falando especificamente sobre a Índia; estou falando sobre isso em termos gerais, mas penso que o que ele [Tedros Adhanom Ghebreyesus] fala é que essas medidas para toda a sociedade são difíceis, não são fáceis e estão prejudicando as pessoas. 

Mas a alternativa é ainda pior se os países forem capazes de se afastar dessa abordagem. Se nós vamos nos afastar disso como estratégia para suprimir o vírus, temos de pôr em prática a saúde pública. A vigilância, o isolamento, a quarentena, as descobertas, a detecção. Temos de ser capazes de mostrar que podemos ir atrás do vírus, porque só os bloqueios não vão funcionar. 

Mas, infelizmente, em algumas situações, neste momento, os lockdowns são a única medida que os governos podem utilizar. É preciso desacelerar este vírus e isso é lamentável, mas essa é a realidade e nós precisamos para explicar continuamente as razões para isto às nossas comunidades”.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, complementou a resposta:

“Sobre a questão do chamado lockdown, talvez alguns países já tenham tomado medidas para o distanciamento físico, fechamento de escolas e prevenção de reuniões e assim por diante. Isso pode ganhar tempo mas, ao mesmo tempo, cada país é diferente. 

Alguns países têm um forte sistema de bem-estar social e outros não. Eu sou da África, como sabem, e sei que muitas pessoas têm de trabalhar todos os dias para ganhar o seu pão de cada dia. Os governos devem ter em conta esta população; se vamos fechar ou limitar os movimentos, o que vai acontecer às pessoas que têm de trabalhar diariamente e têm de ganhar o pão de cada dia? 

Então cada país, com base na sua situação, deve responder a esta pergunta. Não estamos vendo isso como um impacto econômico sobre um país, como uma média de perda do PIB, ou as repercussões econômicas. Temos que ver também o que significa para o indivíduo na rua e talvez eu tenha dito muitas vezes: eu venho de uma família pobre e sei o que significa preocupar-se sempre com o seu pão de cada dia e isso tem que ser levado em conta. 

Porque cada indivíduo é importante e como cada indivíduo é afetado por nossas ações tem que ser levado em conta. É isso que estamos dizendo. Trata-se de qualquer país; não se trata da Índia; trata-se de qualquer país da Terra.

Mesmo o país mais rico da Terra pode ter pessoas que precisam trabalhar pelo seu pão de cada dia. Nenhum país é imune. Todos e cada país têm que ter a certeza de que isto é levado em conta”.

Viralização

Os vídeos foram publicados em canais com grande número de inscritos, como do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos. Juntos, os vídeos somam mais de 500 mil visualizações.    

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Un video del director de la OMS fue sacado de contexto para validar el discurso de Bolsonaro

Esta verificación fue realizada por la coalición de Comprova. Lea más aquí.

En las redes sociales se difundió un fragmento fuera de contexto de un discurso del Director General de la Organización Mundial de la Salud (OMS) en el que alerta sobre los impactos económicos del distanciamiento social, de manera de refrendar la posición del presidente Jair Bolsonaro sobre cómo enfrentar la pandemia del nuevo coronavirus, contraria a la implementación del aislamiento social. Ahora bien, la advertencia de Tedros Adhanom Ghebreyesus no significa que la OMS haya dejado de apoyar el aislamiento social como estrategia contra el nuevo coronavirus.

En su exposición, realizada durante la conferencia de prensa de la OMS el día 30 de marzo, Adhanom pide que los gobiernos tengan en cuenta los impactos económicos que una cuarentena puede tener sobre las personas más pobres.

Estaba respondiendo a la pregunta de una periodista de la India sobre la crisis humanitaria que ese país viene enfrentando en medio de la pandemia. La semana pasada, el primer ministro indio, Narendra Modi, impuso a 1.300.000.000 habitantes la mayor cuarentena de la historia de la humanidad.

“Algunos países tienen un fuerte sistema de bienestar social y otros, no”, dijo. “Los gobiernos deben tener en cuenta a esta población; si estamos cerrando o si estamos limitando el movimiento, ¿qué va a suceder con las personas que tienen que trabajar diariamente y tienen que ganarse el pan de cada día?”, preguntó el Director General de la OMS.

Debido a la repercusión de sus palabras, el Director General de la OMS aclaró posteriormente en su cuenta de Twitter que no quiso decir que los países no deberían imponer el distanciamiento social para contener la diseminación de la Covid-19. Adhanom afirmó que los gobiernos deberían desarrollar políticas para proteger a los más vulnerables.

“Crecí en la pobreza y entiendo esa realidad”, escribió. “Pido que los países desarrollen políticas públicas para garantizar la protección económica a aquellos que no pueden ganar dinero o trabajar en medio de la pandemia de la Covid-19. ¡Solidaridad!”

I grew up poor and understand this reality. I call on countries to develop policies which provide economic protections for people who can’t earn or work amid the #COVID19 pandemic. Solidarity! #coronavirus

— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) March 31, 2020

La afirmación de Adhanom no representó un cambio de postura de la OMS respecto del aislamiento social, como insinúan las publicaciones del video de la conferencia de prensa en las redes sociales. En respuesta a la misma pregunta hecha por la periodista india, el Director del programa de Emergencias de Salud de esa organización, Michael Ryan, destaca la importancia de la cuarentena para contener la enfermedad.

“Lamentablemente, en algunas situaciones, en este momento, [la cuarentena] es la única medida que los gobiernos realmente pueden tomar para contener a este virus”, dijo Ryan. “Es lamentable, pero esa es la realidad y tenemos que explicarles permanentemente a nuestras comunidades cuáles son las razones para hacerlo”.

Para Comprova, el contenido Engañoso es aquel que haya sido retirado de su contexto original y que sea utilizado en otro contexto con el propósito de cambiar su significado; que induce a una interpretación diferente de la intención de su autor; contenido que confunde, con o sin la intención deliberada de causar daño.

¿Cómo verificamos?

Para esta verificación, Comprova consultó la transcripción oficial y el video oficial de la conferencia de prensa de la OMS del 30 de marzo; además de la cuenta oficial de Twitter de Adhanom y de la OMS.

¿Quién publicó el video del Director General de la OMS?

El video fuera de contexto de las palabras de Adhanom se publicó el 30 de marzo a las 16:19 h subtitulado en portugués en Twitter por el usuario @RFGlau, que usó el fragmento para justificar las opiniones de Bolsonaro con respecto al aislamiento social. La cuenta de @RFGlau se creó en marzo de este año y usa la misma foto de perfil que otros dos perfiles suspendidos, @RafaGlau y @RFLGlau.

El mismo video, con marca de agua de @RFGlau, fue publicado nuevamente el mismo día por el presidente Jair Bolsonaro (sin partido) y por sus hijos Carlos (concejal de Río de Janeiro por el Partido Social Cristão), Eduardo (diputado federal de San Pablo por el PSL) y Flávio Bolsonaro (senador deo Río de Janeiro actualmente sin partido). Los diputados federales Osmar Terra (MDB-RS), Bia Kicis (PSL-DF) y Daniel Silveira (PSL-RJ) también difundieron el clip.

El video fue reproducido también en el canal de YouTube del pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro.

¿Qué dijo Tedros Adhanom Ghebreyesus sobre el aislamiento social de las personas más pobres? Lea la transcripción completa:

Una periodista de la India, durante la conferencia de prensa de la OMS, hizo la siguiente pregunta dirigida al Director de Emergencias, Michael Ryan:

“Dr. Ryan, usted debe ser consciente de que la India debido a su cuarentena está evidenciando una crisis humanitaria sin precedentes bajo la forma de movimiento de migrantes de una parte del país hacia otro. Yo entiendo que a usted no le gusta hacer comentarios sobre las decisiones individuales de cada país, pero esta es una crisis humanitaria sin precedentes. ¿Cuál sería su consejo para nuestro gobierno?”

El Director del programa de Emergencias de Salud de la OMS, Michael Ryan, respondió lo siguiente:

“Volviendo a lo que yo creo que es la parte más importante de su pregunta, y que es sobre los impactos de las cuarentenas, restricciones de movimiento, número uno, deben ser vistas con mucho cuidado y, dos, obviamente que independientemente de su intención, son difíciles de aceptar por las comunidades porque las personas necesitan moverse y quieren moverse por sus familias, por razones económicas y por otras razones.

Es importante que los gobiernos comuniquen en forma abierta y transparente a las personas las razones de las cuarentenas, de los cierres o de las restricciones al movimiento porque se confrontan con la libertad de movimiento de las personas. Y si las personas necesitan ceder su libertad de movimiento, deben entender por qué está sucediendo eso. Las restricciones al movimiento son lamentables en todas las situaciones. Nadie quiere que ocurran, pero en situaciones en las que usted tiene una epidemia muy, muy intensa en una parte del país y en otra parte del país no es tan intensa, usted puede tener que implementar algún tipo de medida para, por lo menos, estimular; a veces es una recomendación, a veces es una fuerte recomendación y a veces es una restricción en la que el transporte queda suspendido.

Cada gobierno debe elegir el equilibrio entre lo que es una recomendación para las comunidades y, en algunos casos, lo que es una cuarentena forzada. Cualquiera de ellas que se elija, es importante que la comunicación y la aceptación de la comunidad estén en el centro de la preocupación del gobierno. Es imposible tener una efectiva restricción de movimiento sin que la comunidad esté de acuerdo con esa restricción de movimiento.

Y, como Tedros Adhanom Ghebreyesus dijo en su discurso, cuando se ponen en práctica tales medidas es excepcionalmente importante que esas medidas sean realizadas no solo con la aceptación de la población, sino también con los derechos humanos y la dignidad de las personas afectadas en foco. Eso no siempre es fácil, pero es lo que debe ser el centro del objetivo del proceso. Yo no estoy hablando específicamente sobre la India; estoy hablando sobre eso en términos generales, pero pienso que lo que él [Tedros Adhanom Ghebreyesus] dice es que esas medidas para toda la sociedad son difíciles, no son fáciles y están perjudicando a las personas.

Pero la alternativa es aún peor si los países fueran capaces de alejarse de ese abordaje. Si vamos a alejarnos de eso como estrategia para suprimir el virus, tenemos que poner en práctica la salud pública. La vigilancia, el aislamiento, la cuarentena, los descubrimientos, la detección. Tenemos que ser capaces de mostrar que podemos ir atrás del virus, porque solo los bloqueos no van a funcionar.

Pero lamentablemente, en algunas situaciones, en este momento, la cuarentena es la única medida que los gobiernos pueden utilizar. Es necesario desacelerar a este virus y eso es lamentable, pero esa es la realidad y tenemos que explicar continuamente las razones para esto a nuestras comunidades”.

El Director General dela OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, complementó la respuesta:

“Sobre la cuestión de la llamada cuarentena, tal vez algunos países ya hayan tomado medidas para el distanciamiento físico, cierre de escuelas y prevención de reuniones y así sucesivamente. Eso puede permitir ganar tiempo pero, al mismo tiempo, cada país es diferente.

Algunos países tienen un fuerte sistema de bienestar social y otros, no. Yo soy de África, como saben, y sé que muchas personas tienen que trabajar todos los días para ganarse el pan de cada día. Los gobiernos deben tener en cuenta a esta población; si vamos a cerrar o limitar los movimientos, ¿qué va a suceder con las personas que tienen que trabajar diariamente y tienen que ganarse el pan de cada día?

Entonces cada país, en base a su situación, debe responder a esta pregunta. No estamos viendo eso como un impacto económico sobre un país, como una media de pérdida del PBI, o las repercusiones económicas. Tenemos que ver también lo que significa para el individuo en la calle y tal vez yo ya lo haya dicho muchas veces: yo vengo de una familia pobre y sé lo que significa preocuparse siempre por el pan de cada día y eso hay que tenerlo en cuenta.

Porque cada individuo es importante y como cada individuo es afectado por nuestras acciones tiene que ser tenido en cuenta. Es eso lo que estamos diciendo. Se trata de cualquier país; no se trata de la India; se trata de cualquier país de la Tierra.

Inclusive el país más rico de la Tierra puede tener personas que tienen que trabajar por el pan de cada día. Ningún país es inmune. Todos y cada país tienen que tener la seguridad de que esto es tenido en cuenta”.

Viralización

Los videos fueron publicados en canales con gran número de inscriptos, como el del presidente Jair Bolsonaro y de sus hijos. Juntos, los videos suman más de 500.000 visualizaciones.

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