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Vídeo de presidiários em fila de agência do Banco do Brasil é antigo

Auxílio-reclusão é pago a dependentes de presos de baixa renda e é garantido pela Constituição Federal

Estadão Verifica

15 de maio de 2020 | 17h14

É antigo o vídeo que mostra presidiários entrando em uma agência do Banco do Brasil — a gravação circula nas redes sociais ao menos desde novembro de 2018. O vídeo foi republicado no Facebook nesta semana sem indicação de data, o que dá a entender que a filmagem é recente e se deu em meio à pandemia do novo coronavírus. Nas imagens é possível ver os detentos escoltados por policiais, enfileirados e sem máscaras. 

O vídeo também foi divulgado na página do vice-presidente municipal do Partido Social Liberal do Rio de Janeiro (PSL-RJ), Arthur Corrêa, que também é chefe de gabinete do deputado federal e presidente estadual do PSL-RJ, Sargento Gurgel. 

Corrêa pediu a opinião de seus seguidores sobre a situação: “O povo trabalhador precisa dormir na fila para tentar receber seu auxílio ou esperar a tal análise. Esse país é uma vergonha! Esse é o nosso Brasil. O que vocês acham disso?”

Em nota, o Banco do Brasil esclareceu que as imagens do vídeo com a chegada de detentos a uma de suas agências não é atual. O banco também explicou como é feito o pagamento do benefício. A instituição informou que presta serviços para o INSS e que, em alguns Estados, o pagamento do auxílio é feito por meio do Cartão de Pagamento de Benefícios (CPB).

“(Essa) modalidade demanda comparecimento ao banco para criação de senha de acesso uma única vez. O banco iniciou a mudança nessa sistemática para que o atendimento presencial seja dispensado”, comunicou o BB em nota.

Quem recebe o auxílio-reclusão?

Garantido pelo artigo 201 da Constituição Federal de 1988, auxílio-reclusão e o salário família são destinados aos dependentes dos presidiários de baixa renda, ou seja, aos seus familiares. 

Esta matéria feita pelo Estadão Verifica mostra que, para receber o auxílio reclusão, o preso de regime fechado ou semiaberto deve estar contribuindo regularmente com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no momento da prisão para que seu dependente tenha acesso ao auxílio. A pessoa que vai receber o auxílio não pode estar recebendo salário ou qualquer benefício do INSS durante o período. 

A duração do benefício é variável e depende da idade da pessoa vinculada ao presidiário na data da prisão. Todos os requisitos necessários para receber o auxílio-reclusão podem ser conferidos aqui.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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