Vídeo de motoqueiros rezando é da África do Sul, e não tem relação com internação de Trump
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Vídeo de motoqueiros rezando é da África do Sul, e não tem relação com internação de Trump

Gravação foi compartilhada nas redes sociais com legenda que afirmava que grupo se reuniu para orar pela saúde do presidente americano, mas evento ocorreu em agosto

Alessandra Monnerat

06 de outubro de 2020 | 13h17

Um vídeo que mostra dezenas de motoqueiros ajoelhados foi compartilhado nas redes sociais com legendas que afirmam que o grupo se reuniu em frente ao hospital militar Walter Reed, onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou internado após ser infectado com o novo coronavírus. Na realidade, a gravação é de agosto e foi feita na África do Sul.

No canto do vídeo, é possível ver uma marca que indica que a gravação foi publicada pelo usuário @jamesriley1688 na rede social TikTok. No perfil de James, a filmagem foi postada pela primeira vez em 11 de setembro, portanto semanas antes de Trump anunciar ter contraído covid-19.

A gravação foi compartilhada em postagens virais com legendas enganosas nos Estados Unidos. As agências de checagem americanas Lead Stories e Snopes, além do jornal USA Today, desmentiram os posts que tiram o vídeo de contexto. As três verificações apontam que a filmagem é de um evento em Pretoria, na África do Sul, no fim de agosto.

O Lead Stories encontrou um vídeo da mesma ocasião:

O anúncio de que Trump tinha sido infectado com o novo coronavírus, feito na sexta-feira, 2, gerou uma onda de informações desencontradas por parte da própria Casa Branca. O presidente americano recebeu alta do centro médico Walter Reed nesta segunda-feira, 5, mas recebe tratamento que a Organização Mundial de Saúde (OMS) liga a casos graves de covid-19. A imprensa dos EUA destacou que os presidentes do país frequentemente enganam o público sobre suas doenças.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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