Vídeo de drones no céu do Líbano é anterior à explosão em Beirute
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Vídeo de drones no céu do Líbano é anterior à explosão em Beirute

Boatos usam imagens fora de contexto para sugerir que acidente que matou 137 pessoas tenha sido um atentado

Pedro Prata

06 de agosto de 2020 | 15h42

É falso que um vídeo mostre drones derrubando um objeto responsável pela explosão em Beirute que matou ao menos 137 pessoas, deixou 5 mil feridos e 300 mil desabrigados. O vídeo utilizado no boato foi gravado em 30 de julho, quatro dias antes do acidente. Além disso, autoridades libanesas já indicaram que a causa da explosão foi o armazenamento irregular de 2,7 mil toneladas de nitrato de amônia no porto da cidade. O Estadão Verifica faz a checagem de conteúdos virais e verificou este vídeo após o conteúdo ser compartilhado 1,7 mil vezes.

A gravação mostra dois drones no céu e um deles deixa cair um objeto. “Drone que acionou a bomba em Beirute”, diz a legenda. Uma pesquisa no Google por vídeos de drones no Líbano retornou uma matéria da agência internacional de notícias Reuters nesta quarta-feira, 5, dizendo que o “vídeo não mostra drone bombardeando Beirute”.

A agência internacional explica que o vídeo já havia sido compartilhado por veículos de comunicação libaneses em 30 de julho — cinco dias antes da explosão. Segundo estes sites, eram drones israelenses sobrevoando a cidade libanesa de Hula. Veja os vídeos postados aqui, aqui e aqui.

Vídeo foi gravado ao menos cinco dias antes da explosão no Líbano. Foto: Reprodução

Nitrato de amônia teria causado a explosão em Beirute

O governo acredita que um curto-circuito causou um incêndio em um depósito de fogos de artifício. Este incêndio acabou se espalhando para outro galpão, onde estavam 2,7 mil toneladas de nitrato de amônia, que causaram a explosão. Este é um dos materiais mais utilizados em fertilizantes na agricultura no mundo inteiro, mas também é usado na fabricação de explosivos e bombas por ser altamente inflamável.

Autoridades colocaram todos os funcionários do porto de Beirute responsáveis pelo armazenamento e pela segurança do material em prisão domiciliar. A principal hipótese para a explosão é negligência. A rede de televisão árabe Al Jazeera disse que a análise de registros e documentos públicos mostra que altos funcionários libaneses sabiam havia mais de seis anos que o nitrato de amônio estava armazenado no Hangar 12 do porto de Beirute. E que eles estariam cientes dos perigos que isso representava.

Helicóptero ajuda nos esforços para conter incêndio após explosão em Beirute. Foto: STR/AFP

Apesar disso, outros boatos sobre a origem da explosão também podem ser encontrados no Facebook. Alguns posts falam em “bomba atômica tática”, enquanto um vídeo mostra um suposto objeto caindo do céu. Todos eles são enganosos. O governo de Israel, com quem o Líbano está oficialmente em guerra, negou ter envolvimento no acidente e se dispôs a prestar ajuda médica e humanitária aos vizinhos.

O Líbano vive uma grave crise política, econômica e social. A população tomava as ruas contra a elite política quando o país foi abatido pela pandemia de covid-19. O Líbano também vive uma grave recessão econômica que refletiu na desvalorização da moeda e inflação em alta. Muitas ONGs que antes trabalhavam para refugiados sírios e palestinos tiveram de voltar seus reforços para os próprios libaneses. Analistas temem que a explosão na capital Beirute possa agravar ainda mais a crise.

Esse boato também foi checado por Fato ou Fake, AFP e e-farsas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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