Vídeo de deputado discutindo com mulheres é de 2017 e não tem relação com Bolsonaro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Vídeo de deputado discutindo com mulheres é de 2017 e não tem relação com Bolsonaro

Durante gravação, Paulo Ramos (PDT-RJ) participava de fiscalização da Comissão de Bem Estar Animal da Alerj

Pedro Prata

06 de outubro de 2020 | 18h10

Atualizada às 18h26 de 13 de outubro de 2020 para alteração no título. Como o texto afirma, as mulheres que discutiram com o deputado não eram professoras.

É falsa a publicação que afirma que o deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) apareceu em vídeo discutindo com professoras que teriam se recusado a falar mal do presidente Jair Bolsonaro. Na realidade, as imagens foram gravadas em 2017, durante ato de fiscalização da Comissão de Bem Estar Animal da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O vídeo nada tinha a ver com Bolsonaro, que à época sequer era candidato à presidência.

“Deputado Paulo Ramos do PSOL RJ visitando as escolas e oferecendo vantagens e dinheiro para que as professoras façam um vídeo falso dizendo que todas as mulheres do colégio são contra Bolsonaro e vejam como ele fala com as professoras pq não aceitaram seu dinheiro e se recusaram a fazer esse vídeo mentiroso!”, diz a falsa legenda, inicialmente publicada em setembro de 2018. A postagem voltou a viralizar no Facebook e recebeu mais de 11,4 mil compartilhamentos neste final de semana.

Vídeo é de 2017 e não tem a ver com Jair Bolsonaro. Foto: Facebook/Reprodução

O Estadão Verifica e o Projeto Comprova já haviam feito uma checagem desta publicação em 2018. O primeiro registro do vídeo foi publicado em 2017, no canal do YouTube de Bruna Franco com o título “Deputado Estadual Do PSOL Paulo Ramos intimidando protetoras na íntegra”. O vídeo tem pouco mais de 9 minutos e o trecho utilizado no boato corresponde ao intervalo de 2min59s a 4min36s.

No Facebook, o Comprova encontrou Bruna Franco, estudante de medicina e ativista da proteção aos animais. Por telefone, ela esclareceu que o vídeo foi feito por uma amiga, a pedido dela, na Fazenda Modelo, antes de uma vistoria que seria realizada pela Comissão de Defesa dos Animais da Alerj. Ela chegou a fazer uma transmissão ao vivo no Facebook antes da gravação.

Durantes as eleições de 2018, o vídeo com a falsa legenda recebeu destaque após ser compartilhado pelo então candidato a deputado estadual delegado Francischini. Posteriormente, ele eleito pelo Partido Social Liberal (PSL) do Paraná.

À época, o deputado Paulo Ramos publicou uma nota afirmando que a Comissão de Proteção Animal foi até a Fazenda Modelo, em 18 de agosto de 2017, para “apurar denúncias de maus-tratos no abrigo”.

Vídeo voltou a viralizar

Uma versão da postagem, publicada por Nivaldo José Francisco em setembro de 2018, voltou a viralizar nesta sexta-feira, 2. Ele é candidato a vereador de Aparecida do Norte, no interior de São Paulo, pelo PRTB. O Estadão Verifica tentou contato com Nivaldo, mas não obteve resposta até a publicação desta checagem.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.