Vídeo de Bolsonaro com bandeira dos EUA não foi feito no 7 de setembro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Vídeo de Bolsonaro com bandeira dos EUA não foi feito no 7 de setembro

Imagens são de manifestação do dia 3 de maio; na ocasião, presidente desceu a rampa do Palácio do Planalto para saudar apoiadores

Pedro Prata

08 de setembro de 2020 | 17h38

Um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aparece em manifestação com a filha Laura com uma bandeira dos Estados Unidos foi tirado de contexto nas redes sociais. Uma postagem com 2,2 mil compartilhamentos no Facebook afirma que a gravação seria das comemorações pelo 7 de setembro, mas na verdade a filmagem é do dia 3 de maio. 

Vídeo de manifestação com Jair Bolsonaro e a filha, Laura, são de maio. Foto: Reprodução

“Surgiu uma dúvida: hoje é 7 de setembro ou 4 de julho?”, questiona a legenda, fazendo referência ao dia de comemoração da independência dos Estados Unidos. No vídeo, é possível ver Bolsonaro caminhando de mãos dadas com a filha Laura. Em primeiro plano, apoiadores acenam e gravam a cena com celulares. É possível ouvir gritos e o barulho de um instrumento. Ao lado de Bolsonaro caminha um homem que segura um mastro com as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Logo atrás, uma menina carrega uma bandeira do Brasil.

Apesar de ser publicado nesta segunda, 7, o vídeo foi gravado em 3 de maio de 2020. Na ocasião, o presidente compareceu à rampa do Palácio do Planalto, onde um grupo de manifestantes fazia um ato de apoio ao governo. A manifestação ocorreu na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrou a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para comandar a Polícia Federal (PF). A decisão foi tomada após o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, pedir demissão e acusar o presidente de interferência política na PF.

A manifestação chamou a atenção pela presença da filha mais nova de Bolsonaro, Laura. Imagens feitas por fotógrafos da manifestação em 3 de maio permitem concluir se tratar da mesma situação representada pelo vídeo viral. Naquela data, um apoiador acompanhou Bolsonaro com um mastro com as bandeiras dos Estados Unidos, Israel e Brasil. Também é possível ver uma menina próxima ao presidente segurando uma bandeira do Brasil. Por fim, a roupa de Laura Bolsonaro é a mesma que ela veste no vídeo.

Ao comparar as duas imagens, é possível notar que se trata da mesma ocasião. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Bolsonaro no 7 de setembro

Brasília não recebeu o tradicional desfile de 7 de setembro este ano por conta do risco de aglomeração durante a pandemia. A decisão foi comunicada pelo Ministério da Defesa. Em vez disso, o presidente Jair Bolsonaro desfilou no Rolls-Royce conversível da Presidência com um grupo de crianças, filhas e netas de autoridades, em um evento de menor proporção. Inicialmente programado para ser fechado, o evento acabou aberto ao público, o que gerou aglomeração.

Fotos da cerimônia mostram que alguns pessoas do público portavam bandeiras dos Estados Unidos. O fotógrafo Hugo Barreto, do site Metrópoles, flagrou um homem segurando uma placa de apoio à reeleição do presidente norte-americano Donald Trump.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: