Vídeo de apresentadora da TV Globo festejando com torcedores do Flamengo é de antes da pandemia
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Vídeo de apresentadora da TV Globo festejando com torcedores do Flamengo é de antes da pandemia

Para criticar emissora e colocar em dúvida a necessidade de medidas de distanciamento social, boato nas redes sociais resgata gravação feita em Lima, no Peru, antes da final da Libertadores,

Samuel Lima, especial para o Estadão

02 de março de 2021 | 17h26

Um vídeo mostrando a jornalista da TV Globo Mariana Gross festejando com torcedores do Flamengo antes da final da Copa Libertadores da América de 2019 circula fora de contexto nas redes. Postagens enganam os internautas ao sugerir que a apresentadora do RJTV estaria participando de aglomerações durante a pandemia. Não há qualquer relação entre o conteúdo e o cenário atual de crise sanitária.

Boato usa vídeo de 2019 para atacar jornalista da TV Globo do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução / Arte: Estadão

As imagens foram gravadas em 22 de novembro de 2019 — cerca de três meses antes do primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil, registrado em 26 de fevereiro de 2020. Segundo o portal Torcedores, a jornalista confraternizava com outros rubro-negros em Lima, no Peru, na noite de véspera da decisão da Libertadores contra o clube argentino River Plate. A informação também foi publicada, na época, pelo colunista do portal UOL Leo Dias, com o mesmo vídeo que circula sem contexto nas redes.

Pelo Twitter, Mariana Gross rebateu as postagens recentes que insinuam que ela estaria furando a quarentena em momento crítico da pandemia. “O vídeo que anda circulando por aí é de 2019, em Lima, durante minhas férias à época. Bem antes da pandemia. É triste a crueldade de alguns aqui”, escreveu a jornalista em 27 de fevereiro. Ela já vinha respondendo usuários sobre o assunto desde o início do mês. “Uso máscara diariamente e atribuo a isso o fato de não ter tido covid até o momento”, comentou, em outra ocasião.

A primeira versão do boato encontrada pelo Estadão Verifica é de 7 de fevereiro, três dias depois de um jogo do Flamengo contra o rival carioca Vasco da Gama. As peças criticam a TV Globo e os profissionais de imprensa, alvos frequentes de campanhas de desinformação, e também as medidas de distanciamento incentivadas em todo o mundo por autoridades de saúde para conter a disseminação do novo coronavírus e representadas pelo slogan “Fique em casa”.

O conteúdo enganoso se aproveita ainda de notícias recentes de aglomerações de torcedores para conferir credibilidade à história. Na semana passada, por exemplo, dezenas de torcedores do Flamengo sem máscaras esperaram o time no aeroporto do Galeão para comemorar o título do Campeonato Brasileiro. Situações parecidas foram protagonizadas por adeptos de vários clubes brasileiros em ruas, zonas de embarque e arredores de estádios antes e depois de partidas importantes.

A Globo é atacada constantemente por bolsonaristas por conta de uma suposta “campanha” contra o presidente Jair Bolsonaro. O político costuma negar a necessidade de medidas de isolamento e a gravidade da pandemia, ao mesmo tempo em que promove terapias sem eficácia comprovada contra a covid-19.

A mesma tática de resgatar conteúdo antigo foi usada recentemente contra Maju Coutinho para insinuar que a apresentadora do Jornal Hoje teria circulado sem máscara pela orla do Leblon, no Rio de Janeiro, entre outras checagens semelhantes.

AFP Checamos, Agência Lupa e Boatos.org também desmentiram esse boato.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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