Vídeo com carretas paradas é antigo e não tem relação com Eike, Bolsonaro ou BNDES
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Vídeo com carretas paradas é antigo e não tem relação com Eike, Bolsonaro ou BNDES

Boato alega que equipe de transição teria descoberto veículos que seriam do 'esquema do PT' no banco estatal

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

12 Novembro 2018 | 18h05

Uma gravação que mostra caminhões enfileirados em um pátio tem circulado no WhatsApp com uma legenda falsa, que afirma que os veículos pertenceriam a Eike Batista e teriam sido financiados pelo BNDES. A corrente no aplicativo diz ainda que a situação teria sido descoberta pela equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) no Pará. Mas nenhuma dessas informações é verdadeira — o vídeo original é de 2016 e não tem qualquer relação com os personagens citados.

Ao usar a ferramenta YouTube Dataviewer, da Anistia Internacional, foi encontrada a primeira versão da publicação a circular na internet. Ali, é possível fazer busca reversa de imagens de instantes do vídeo — ou seja, procuramos no Google sites que contenham as mesmas imagens. Dessa forma, percebe-se que a versão mais antiga do vídeo é de 2016, e faz referência a uma “Transportadora Batista”.

Boato sobre caminhões foi o mais enviado ao WhatsApp do Estadão Verifica. Foto: Tama66/Pixabay

O nome, no entanto, é uma coincidência. Em consulta aos CNPJs associados ao nome de Eike Batista, não há nenhuma transportadora de carga ligada ao empresário. E, como o vídeo foi gravado em 2016, não é possível que a situação tenha sido “descoberta” pela equipe de transição de Bolsonaro.

Na época, o dono da transportadora, João Batista, explicou em entrevista à TV Band Progresso que os caminhões não estavam abandonados, como sugere o boato — segundo ele, os veículos ficaram parados por problemas com a safra de soja daquele ano. A empresa tem como sede a cidade de Novo Progresso, no Pará.

O site do BNDES, que lista as operações de crédito, informa que não há registro de transferência de recursos para o CNPJ da empresa. A assessoria de imprensa do órgão explicou que a transportadora apenas recebeu operações indiretas, isto é, agentes financeiros fizeram uma ponte entre o banco público e a empresa de caminhões. Nesse caso, o risco de calote não fica com o BNDES.

O boato foi enviado por leitores ao WhatsApp do Estadão Verifica, no número (11) 99263-7900. Os sites Boatos.Org, E-Farsas e Fato ou Fake também publicaram checagens sobre o conteúdo.

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