Vagas de emprego falsas servem de isca para roubo de páginas no Facebook
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Vagas de emprego falsas servem de isca para roubo de páginas no Facebook

Anúncios enganosos atraem público que busca chance no mercado de trabalho

Guilherme Bianchini, especial para o Estado

14 de outubro de 2019 | 10h45

Conteúdos enganosos nas redes sociais podem ter impacto direto na vida de quem está desempregado. No Facebook, ofertas de vagas de trabalho em páginas fraudulentas, que buscam se passar por redes de lojas como Casas Bahia, Lojas Americanas e Havan, servem de isca para roubo de dados e invasão de perfis. O Estadão Verifica monitorou sete dessas ofertas de emprego e contabilizou nelas cerca de 33 mil engajamentos (reações, comentários e compartilhamentos). 

Procurada pelo Estado, a Via Varejo, empresa que administra as Casas Bahia, alertou que divulga as vagas apenas no site oficial da empresa, ou na página oficial do LinkedIn.  A Havan declarou que não faz esse tipo de divulgação “quando começa a contratar nas cidades em que vai operar” e informou que o cadastro de currículos deve ser feito sempre pelo site da loja.

Algumas pessoas que interagem com as páginas fraudulentas acabam clicando em links que imitam páginas de login do Facebook. Ao preencher seus dados, cedem as senhas aos fraudadores, permitindo a invasão de perfis. O Estadão Verifica observou que os invasores têm o intuito de se apropriar de páginas administradas pelas vítimas, e montar nelas novas arapucas para desavisados. Até mesmo um fã-clube da artista Samantha Schmütz (Fc_samy_forever), com 4.587 seguidores, foi alvo de fraudadores, que anunciaram na página supostas vagas de auxiliar de limpeza, sem especificar empresa nem local. O mesmo “sequestro” ocorreu em páginas que antes eram dedicadas a vendas de produtos e a compartilhamento de conteúdos do YouTuber Whindersson Nunes.

Exemplos de anúncios de vagas falsas no Facebook. Reprodução/Facebook

Após roubar a página, a estratégia é personalizá-la com foto e capa que remetem à loja das vagas divulgadas. Mesmo com o nome original mantido, o falseamento acaba enganando o público ávido por uma chance no mercado de trabalho. 

Valúcia Mateus, de Fortaleza, se interessou por um suposto anúncio das Casas Bahia. Ao abordá-la no chat, a página pediu para que clicasse em um link e o autenticasse com sua senha de Facebook. Dias depois, foi notificada pela rede social sobre um login suspeito em Cascavel, no Paraná, a cerca de 3.500 quilômetros de Fortaleza. Ainda mais surpreendente foi quando o Facebook registrou um acesso em seu perfil na cidade de Montreal, no Canadá. Após as invasões, ela conseguiu trocar a senha do perfil pessoal, mas perdeu a administração da página em que vendia perfumes. O anúncio de fragrâncias deu lugar a novas vagas falsas das Casas Bahia, como em um esquema de pirâmide, e o número do celular de Valúcia ficou exposto ao público.

A maior parte dos anúncios desse tipo obedece a um padrão: os salários oferecidos variam entre R$ 1.300 e R$ 1.800, além de vale transporte e benefícios; experiência no ramo é dispensável; o horário de trabalho, de segunda a sexta, é de 8h às 12h e de 14h às 18h, com meio expediente no sábado de 8h às 12h; e o local da vaga nunca é divulgado. Por fim, as publicações solicitam aos interessados que deixem um “OK” nos comentários.

Depois de selecionar os alvos, os invasores entram em contato pelo chat do Facebook, como no caso de Valúcia. Para alguns usuários que comentam, no entanto, a angústia permanece. Sem saber, que a vaga é falsa, ficam aguardando  contato das empresas. Na fila do desemprego há dois anos, o gaúcho Tiago Moraes, motorista de caminhão, chegou a deixar seu número de celular em uma publicação de vaga falsificada da Havan, com 1,3 mil comentários e 2,8 mil compartilhamentos.

“A internet facilitou bastante essa procura, e fico fuçando vagas no Facebook”, relatou Moraes. “Quando algumas empresas se apresentam, eu me candidato. Fico torcendo: ‘tomara que liguem hoje’. Isso é um absurdo. Estou em uma situação difícil, pago pensão alimentícia. Fico na apreensão de conseguir algum trabalho.”

Ao constatar as fraudes, o Facebook removeu todas as páginas que divulgaram as vagas falsas identificadas pelo Estadão Verifica. A rede social recomenda que os usuários “ativem a verificação de dois fatores para login, adicionando uma camada de segurança a suas contas”.

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