Urnas em São Paulo não completavam votos a favor de Haddad em 2018

Urnas em São Paulo não completavam votos a favor de Haddad em 2018

Vídeo viral no Facebook mostra eleitores reclamando de fraude em colégio na Capital; TRE-SP fez auditoria das urnas e não encontrou problema

Gabriel Belic, especial para o Estadão

18 de junho de 2022 | 10h00

Voltou a viralizar no Facebook um vídeo gravado durante as eleições de 2018, no qual eleitores afirmam que a urna eletrônica preenchia automaticamente o voto em favor do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Nas imagens, filmadas em um colégio na Zona Sul da Capital, um grupo reclama com funcionários do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que ao teclar “1” a urna completava “13”. Ao Verifica, a Justiça Eleitoral esclareceu que os eleitores mostrados no vídeo conseguiram votar normalmente e não foi encontrado problema nas urnas. Dias depois, o TRE-SP fez uma auditoria nas urnas questionadas; novamente, não se verificou falha nos equipamentos.

Funcionários do cartório da 260ª Zona Eleitoral (Ipiranga) acompanharam a votação e verificaram que o funcionamento das urnas estava normal, sem necessidade de substituição das máquinas nas seções 175, 176, 177, 180 e 181. Segundo o TRE-SP, os eleitores que reclamaram conseguiram concluir a votação, mas insistiram na alegação de fraude porque a urna não apresentou a foto do seu candidato a presidente. Por isso, solicitaram uma auditoria.

As urnas foram auditadas no dia 18 de outubro – onze dias após o primeiro turno. Durante a apuração, nenhum problema foi detectado nos equipamentos. De acordo com a ata da cerimônia, um técnico do TRE executou um programa de verificação nas urnas e foi “verificado que nenhum arquivo encontrava-se danificado, ausente ou excedente”. Os eleitores que reclamaram de problemas não compareceram à auditoria, segundo a Justiça Eleitoral.

Segundo o TRE-SP, uma explicação possível para que a foto do candidato não ter aparecido é que algumas urnas mais antigas necessitam de um tempo maior para carregar a imagem. Assim, se o eleitor concluir o voto rapidamente, pode ficar sem ver a foto.

Autora do vídeo reproduz boato desmentido

No trecho final da filmagem, uma mulher não identificada, que gravava as imagens, diz ter visto um vídeo em que a urna autocompletava o voto em favor de Haddad. Embora ela não deixe claro a que vídeo se referia, também nas eleições de 2018 o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) desmentiu um conteúdo editado para parecer que a urna eletrônica preenchia automaticamente o número 13. Em nota divulgada na época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfatizou que não existe a possibilidade de uma urna autocompletar o voto do eleitor e isso pode ser comprovado pela auditoria de votação paralela“. 

O procedimento citado pelo TSE é uma simulação da votação com urnas oficiais preenchidas com as listas de candidatos e eleitores. A auditoria ocorre no mesmo dia das eleições oficiais, de maneira simultânea e paralela, a fim de constatar o funcionamento e a segurança das urnas eletrônicas. A votação é feita por amostragem pelos TREs do País e conta com a presença de representantes dos partidos políticos, imprensa, Ministério Público e demais interessados.

Caso alguma urna eletrônica apresente falha técnica durante as etapas da eleição, a Justiça Eleitoral possui protocolos para corrigir o problema – são os chamados procedimentos de contingência de votação e apuração. As urnas de contingência, por exemplo, são disponibilizadas com finalidade de substituir possíveis equipamentos que apresentarem defeitos. 

Quando o procedimento não atende o problema, existe a possibilidade de uma votação completamente manual. No entanto, de acordo com dados do TRE-SP, durante o primeiro turno das eleições de 2020 apenas 0,71% das 85.715 urnas do Estado de São Paulo foram substituídas. Segundo o órgão, os equipamentos utilizados são sempre submetidos a manutenções preventivas e testes.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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