Tuíte em apoio a Bolsonaro é falsamente atribuído ao jornalista Boris Casoy

Tuíte em apoio a Bolsonaro é falsamente atribuído ao jornalista Boris Casoy

Mensagem que fala em 'melhor governo da história' é de autoria de um perfil que teve a conta suspensa pelo Twitter por violação aos termos de uso

Samuel Lima, especial para o Estadão

28 de fevereiro de 2021 | 18h35

É falso o tuíte atribuído ao jornalista Boris Casoy em que ele supostamente declara apoio ao presidente Jair Bolsonaro para que faça “o melhor governo da nossa história”, sem corrupção. Essa mensagem foi escrita por uma conta que não tem nenhuma relação com Casoy e foi excluída pelo Twitter. O perfil oficial do jornalista foi criado apenas em novembro de 2020, mais de um ano depois da data informada na postagem falsificada. Apesar de antiga, a declaração acumulou mais de 3,7 mil compartilhamentos recentemente no Facebook.

A peça analisada pelo Estadão Verifica é um print de uma postagem no Twitter de 19 de fevereiro de 2019. O cabeçalho mostra uma foto e o nome de Boris Casoy, mas o nome de usuário causa estranheza: @licitabrasil1. Ao procurar pelo endereço, o blog descobriu que a conta está atualmente suspensa por violação dos termos de uso da rede.

Postagem no Twitter atribuída a Boris Casoy não foi escrita pelo jornalista. Foto: Reprodução / Arte: Estadão

Na internet, existem outras reproduções de tuítes dessa mesma conta com um nome diferente: “Marcus Teixeira”. Em checagem naquela época, a Agência Lupa também constatou que a conta apresentava outras informações de perfil não relacionadas ao jornalista Boris Casoy. A atribuição falsa, portanto, pode ter sido feita mais tarde com montagens, ou a descrição do perfil foi trocada pouco depois do print.

O jornalista Boris Casoy nem sequer tinha conta no Twitter no momento em que o tuíte começou a circular. Ele mesmo afirma isso em vídeo divulgado pela RedeTV em 25 de fevereiro de 2019: “Eu não tenho Twitter. Tudo que está sendo difundido em meu nome é falso. Fake, como dizem os mais moderninhos”. Ele ingressou na rede apenas em 12 de novembro de 2020, com o usuário @BCasoyOficial, para divulgar um programa que apresenta no YouTube, o “Jornal do Boris”, também exibido na TV Gazeta.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho. 

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