Texto crítico à classe média circula falsamente atribuído a Chico Buarque
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Texto crítico à classe média circula falsamente atribuído a Chico Buarque

'A classe média está de partida' é de autoria do escritor baiano Zuggi Almeida, e não do cantor e compositor carioca

Tiago Aguiar

05 de outubro de 2020 | 16h25

O escritor, cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda é alvo de um boato que voltou a circular nas redes sociais na semana passada. Um artigo chamado “A classe média está de partida”, de autoria do escritor baiano Zuggi Almeida, tem sido compartilhado com assinatura de Chico. A assessoria do compositor negou que ele tenha escrito texto e o próprio Zuggi comentou o caso, reivindicando a autoria.

“A classe média está de partida” foi publicado originalmente em outubro de 2016 na página de Facebook do escritor baiano. O texto argumenta que parte da classe média está “deixando para trás a ilusão que pertencia à elite”, por estar modificando seus hábitos de consumo. O autor diz que a classe média teve que se despedir do “apartamento de três quartos na zona nobre da cidade” e de “ver o filho fazer uma pós-graduação no exterior”.

Em setembro de 2019, quando a peça de desinformação com o nome de Chico foi compartilhada pela primeira vez, Zuggi comentou o caso.”Ao acordar na manhã desse domingo recebi uma mensagem de um amigo querendo saber se um texto publicado nas redes sociais era da minha autoria ou numa referência fake, ao maioral Chico Buarque”, escreveu ele no Facebook. “Aproximar a minha criação à obra grandiosa do autor de ‘Construção’ de certo modo infla o ego, se não fosse uma mentira”.

Procurada pelo Estadão Verifica, a assessoria de imprensa de Chico Buarque negou que ele tenha escrito ou compartilhado o texto: “Quem conhece o estilo de Chico jamais poderia acreditar que esse texto foi escrito por ele. Menos ainda pelo conteúdo”.

Este conteúdo também foi verificado pelo Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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