É falso que Tereza Cristina tenha divulgado áudio em apoio a greve de caminhoneiros

É falso que Tereza Cristina tenha divulgado áudio em apoio a greve de caminhoneiros

Ministério da Agricultura negou que conteúdo que circula no WhatsApp seja de autoria da ministra; voz e sotaque são diferentes

Alessandra Monnerat

17 de agosto de 2021 | 13h00

Não é a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a pessoa que fala em áudio no WhatsApp sobre manifestações marcadas para o dia 7 de setembro. Em uma gravação de 7 minutos, uma mulher afirma que caminhoneiros vão fazer greve no começo do mês que vem e prevê uma “reprise ainda maior” do golpe de 1964, que deu início à Ditadura Militar. A voz e o sotaque, no entanto, são diferentes da ministra; além disso, o ministério da Agricultura negou relação com o áudio.

Leitores pediram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, (11) 97683-7490.

Tereza Cristina Agricultura

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Foto: Guilherme Martimon/Mapa

Na gravação, a mulher começa dizendo que o “setor do agro não retrocede” e que o maior medo dos representantes do setor é que o Brasil “vire uma Argentina”. Ela garante que o agronegócio está comprometido em ajudar o governo “a se livrar dessa peste perniciosa que é o Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal)”. A voz continua, afirmando que o cantor e ex-deputado federal Sérgio Reis se reuniu com empresários da soja, e que, junto com os caminhoneiros, todos seriam uma grande família.

Ela se refere a áudio e vídeo atribuídos a Reis que circulam nas redes sociais, nos quais o artista convoca uma greve nacional da categoria para protestar contra os ministros do STF. Lideranças dos caminhoneiros, no entanto, afirmaram ao Estadão no domingo, 15, que o cantor não os representa. Além disso, nos bastidores o Ministério da Infraestrutura não leva a mobilização a sério.

Mais adiante no áudio falsamente atribuído a Tereza Cristina, a mulher afirma que um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), viajou aos Estados Unidos para se reunir com o empresário republicano Mike Lindell. De fato, o parlamentar participou de um evento na Dakota do Sul no dia 10 de agosto, no qual repetiu informações falsas sobre fraude nas urnas eletrônicas no Brasil. Lindell é um apoiador do ex-presidente americano Donald Trump conhecido por divulgar teorias conspiratórias sem fundamento.

A voz no áudio analisado chega a dizer que opositores do governo impediram que muitas pessoas tivessem acesso à “cura” da covid-19, o chamado “tratamento precoce” com remédios como cloroquina, ivermectina e azitromicina. Como o Estadão Verifica demonstrou reiteradas vezes, não existem estudos científicos que demonstrem a eficácia desses medicamentos contra a doença provocada pelo coronavírus. No caso da cloroquina e de seu derivado, hidroxicloroquina, pesquisas de larga escala já comprovaram a ineficácia contra o vírus. 

Há adesão a uma greve de caminhoneiros?

No áudio, a voz aconselha estocar comida e medicamentos para o caso de uma paralisação de caminhoneiros. No entanto, representantes da categoria consultados pelo Estadão negaram essa possibilidade. “A grande maioria não vai participar, pelo menos dos nossos associados”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, ao Estadão/Broadcast no domingo. Ele disse que 45 mil motoristas autônomos são representados pela entidade.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, também descartou participação no ato. “Não nos envolvemos com política, nem a favor de governo ou contra governo, nem a favor do STF (Supremo Tribunal Federal) ou contra o STF”, disse ele, em vídeo enviado ao Estadão/Broadcast.

A reportagem apurou ainda que, pelo menos por enquanto, a paralisação não é levada a sério pelo Ministério da Infraestrutura. Representantes do governo ouvidos pelo Estadão disseram que mantêm diálogo direto e monitoram o ânimo dos caminhoneiros constantemente.

Leia mais informações na reportagem completa.

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