Tabela traz valores errados de salários mínimos na América do Sul
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Tabela traz valores errados de salários mínimos na América do Sul

Ao contrário do que afirmam postagens no Facebook, Venezuela não tem mínimo maior do que o do Brasil

Alessandra Monnerat

21 de outubro de 2020 | 17h55

Uma tabela divulgada em postagens do Facebook usa dados errados para comparar os salários mínimos na América do Sul. No ranking publicado nas redes sociais, Argentina, Venezuela e Equador aparecem como os países com remunerações mais altas na região, enquanto o Brasil está em último lugar, entre 12 nações. Isso não é verdade: em valores convertidos em dólares, o salário mínimo mais alto da região é o do Chile, seguido por Equador e Uruguai.

O Brasil está na 10ª posição entre os 12 países citados. Por último, vêm Suriname e Venezuela, com mínimos muito abaixo de outros estados sul-americanos. O ranking feito nas postagens também não leva em conta que o poder de compra nos países mencionados é diferente, o que dificulta a comparação por valores nominais. A tabela que foi compartilhada no Facebook contém ainda outro erro: a Bolívia é citada duas vezes, com valores diferentes de salário. 

As postagens analisadas no Facebook citam como fonte o Banco Mundial. Não encontramos qualquer estudo ou divulgação recente da instituição sobre os salários mínimos na América do Sul.

O Estadão Verifica pesquisou os salários mínimos na América do Sul e encontrou os valores listados na tabela abaixo. As fontes das informações são os sites do governo de cada país. As conversões foram feitas na ferramenta do Banco Central brasileiro.

E-Farsas e Boatos.Org também checaram este conteúdo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.