Supercomputador do TSE é um equipamento físico, e não um ‘serviço de nuvem terceirizado’
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Supercomputador do TSE é um equipamento físico, e não um ‘serviço de nuvem terceirizado’

Tribunal contratou a disponibilização de dois computadores para fazer a soma dos votos

Pedro Prata

26 de novembro de 2020 | 15h23

É falso que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha contratado um “serviço de nuvem terceirizado” para executar a soma de votos nas eleições 2020. Na verdade, o TSE contratou a disponibilização de dois supercomputadores físicos, que ficam localizados em uma sala-cofre.

Essa alegação falsa foi compartilhada ao menos 3,3 mil vezes no Facebook e também foi enviada por leitores ao WhatsApp do Estadão Verifica, (11) 97683-7490.

Foto: Reprodução

O boato diz que o supercomputador contratado pelo Tribunal não seria um equipamento físico e sim um “serviço de nuvem terceirizado”. A postagem afirma ainda que isso seria prova de fraudes no pleito, tendo em vista que o TSE não “teria controle algum sobre o tal supercomputador e nem sobre seu funcionamento. Quem controla ele é uma empresa estrangeira contratada, a Oracle”.

Em nota, o TSE informou que contratou da empresa Oracle um serviço chamado Cloud at Costumer. O contrato prevê a cessão, por quatro anos, de dois computadores: um principal e um redundante, para ser usado em caso de falhas. Os nomes dos servidores são Exadata X8 Full Rack, com oito nós de processamento, e Exadata X8 Half Rack, com quatro nós de processamento.

Computador fornecido pela Oracle fica em sala-cofre do TSE. Foto: TSE/Divulgação

Ainda segundo o próprio Tribunal, a empresa Oracle oferece também os softwares de banco de dados e presta serviços de suporte e atualização dos produtos, mas ressalta que “quem controla o equipamento é a equipe do TSE”.

Computador fornecido pela Oracle fica em sala-cofre do TSE. Foto: TSE/Divulgação

Documento

Contrato sem licitação

As postagens virais sobre o supercomputador citam também o fato de o serviço ter sido contratado sem licitação. Isso é verdade, mas falta contexto à informação. O contrato foi assinado de acordo com a Lei de Licitações (8.666/1993), que dispensa a exigência de concorrência quando “houver inviabilidade de competição” (abaixo). Segundo o TSE, a Oracle do Brasil Sistemas Ltda. possui certidão emitida pela Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES) para ter exclusividade para venda de serviços do tipo contratado.

LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993

Este conteúdo também foi checado por Fato ou Fake.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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