Texto viral com comentários sobre a riqueza não é de Steve Jobs

Texto viral com comentários sobre a riqueza não é de Steve Jobs

Postagem engana ao dizer que o magnata da tecnologia teria falado contra o acúmulo de bens materiais em seu leito de morte

Pedro Prata

18 de março de 2022 | 12h35

Não é de Steve Jobs um texto que circula nas redes sociais com comentários sobre a riqueza e o sucesso. Postagens viralizaram com a afirmação de que ele teria dito que a riqueza e o reconhecimento “empalidecem” diante da morte iminente, mas não há nenhum registro de que ele tenha falado isso. A irmã do magnata da tecnologia já disse que suas últimas palavras foram sobre o encantamento da vida.

Steve Jobs não perdeu o encantamento pela vida nem em seus últimos momentos, diz irmã. Toshiyuki Aizawa/Reuters

O texto (veja aqui), que já foi compartilhado mais de 121 mil vezes, alega também que Steve Jobs teria dito, em seu leito de morte, que coisas materiais perdidas podem ser encontradas, mas que a vida “nunca pode ser encontrada quando está perdida”. A postagem segue, aconselhando as pessoas a “presentear amor para o seu cônjuge, filhos e amigos”.

Jobs morreu em 5 de outubro de 2011 após uma longa batalha contra um câncer raro no pâncreas, como mostrou o Estadão. No mesmo mês, sua irmã Mona Simpson publicou uma homenagem no jornal New York Times na qual disse que suas últimas palavras foram três monossílabas repetidas três vezes.

“Antes de partir, ele olhou para sua irmã Patty, depois observou seus filhos por um longo tempo. Então olhou para sua esposa, Laurene, e por fim, sobre os ombros de todos eles. As últimas palavras de Steve foram: ‘Uau. Uau. Uau’”, descreveu Mona Simpson.

Não há evidências de que Jobs possa também ter feito o discurso citado pela postagem. O site Snopes identificou que a primeira vez que ele apareceu creditado a Jobs foi em 2015, quase quatro anos após a morte do co-criador da Apple.

O USA Today, a Reuters e o Politifact também checaram este conteúdo.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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