Site distorce pesquisa do IBGE para atacar Dilma
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Site distorce pesquisa do IBGE para atacar Dilma

Publicação simula texto jornalístico, mas publica dados errôneos

Tiago Aguiar

07 de fevereiro de 2020 | 17h15

Uma publicação do site “Imprensa Viva”, com informações deturpadas, circula pelo Facebook. O texto, feito a partir do relatório de 2018 de “Estatísticas do Cadastro Central de Empresas” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sugere acusações que não estão contidas na pesquisa.

O conteúdo é falso desde o título: “Dilma causou o fechamento de mais de 341 mil empresas no Brasil, segundo IBGE”. Em nenhum momento o documento cita o governo de Dilma Rousseff, nem atribui o fenômeno a determinadas decisões políticas. Mesmo que a relação – não mencionada pelo IBGE – exista, mais de 20% do período analisado é no governo de Michel Temer. Dilma foi afastada da Presidência em 12 de maio de 2016, e o os dados da conta são entre 31 de dezembro de 2013 e 31 de dezembro de 2016.

A publicação afirma que “341,6 mil empresas fecharam as portas”. Na verdade, o levantamento do IBGE mostra a quantidade de empresas em atividade ao final de cada ano. O saldo é negativo em 341,6 mil – para calcular quantas fecharam, seria necessário saber quantas foram abertas. Esses dados não aparecem no relatório do IBGE.

O texto mencionado ainda que “a maior parte dos empresários que faliram ficaram endividados”, informação que também não está contida no levantamento.

A ex-presidente Dilma Rousseff, durante a conferência “Brasil: uma democracia ameaçada”, organizada pela Casa de América e a Cátedra de Estudos Iberoamericanos daa Universidad Carlos III. Foto: EFE/Chema Moya

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.