É falso que Bolsonaro tenha aprovação de 80% em pesquisa do Ibope

É falso que Bolsonaro tenha aprovação de 80% em pesquisa do Ibope

Boato surgiu em dezembro do ano passado, quando metade do eleitorado desaprovava o governo; instituto encerrou atividades em janeiro de 2021

Daniel Bramatti e Samuel Lima

31 de janeiro de 2021 | 22h06

Atualizada em 29/6/2021 com novas informações, diante de mais uma viralização do conteúdo nas redes.

Simpatizantes do governo espalham nas redes sociais que a aprovação do presidente Jair Bolsonaro chegou a 80%, segundo pesquisa Ibope. A informação é falsa. A mais recente pesquisa de opinião do instituto, divulgada em 16 de dezembro de 2020, mostrou que 35% dos brasileiros consideravam o governo de Bolsonaro bom ou ótimo, e 33%, ruim ou péssimo. Para outros 30%, a administração é regular. O Ibope também perguntou aos entrevistados se eles aprovavam a maneira de governar de Bolsonaro: 49% disseram que não, e 46% responderam positivamente.

Essas postagens voltaram a circular em junho de 2021, depois que um levantamento do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) mostrou que o principal adversário de Bolsonaro ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece com 49% das intenções de voto, mais do que o dobro de Bolsonaro, que marcou 23%. O Ipec foi criado por ex-executivos do Ibope Inteligência e usa a mesma metodologia do antigo instituto, que teve as suas atividades encerradas em janeiro deste ano.

Essa mesma pesquisa recente do Ipec aponta que a taxa de rejeição a Bolsonaro — ou seja, o percentual de pessoas que disseram que não votariam no atual presidente de jeito nenhum — chegou a 62% dos eleitores brasileiros. Em fevereiro, o mesmo índice era de 56%. A maioria dos entrevistados considera a gestão ruim ou péssima (49%), enquanto 24% respondeu que era boa ou ótima e 26%, que era regular. Dois terços dos eleitores (66%) agora desaprovam o governo. 

O Ipec entrevistou, presencialmente, 2.002 eleitores em 141 cidades, entre os dias 17 e 21 de junho. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais. Vale lembrar que ainda faltam 16 meses para as eleições e que, portanto, o quadro de candidatos permanece indefinido. Além de Lula e Bolsonaro, a pesquisa incluiu outros três candidatos: Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM).


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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