Shopping abandonado mostrado em foto viral fica nos EUA, e não na Venezuela
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Shopping abandonado mostrado em foto viral fica nos EUA, e não na Venezuela

Imagem foi tirada de contexto em postagens contrárias aos candidatos Manuela D'Ávila (PCdoB) e Eduardo Paes (DEM)

Alessandra Monnerat

15 de outubro de 2020 | 12h41

A foto de uma escada rolante em um shopping abandonado viralizou no Facebook com legendas que afirmam se tratar de um local na Venezuela. Na realidade, a imagem é de um centro comercial no estado americano de Ohio, que ficou vazio em 2013 e foi demolido em 2017.

No Facebook, a foto foi compartilhada com legendas que afirmam que “em breve os (shoppings) do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro estarão assim, se votarem em Manuela D’Ávila e Eduardo Paes, respectivamente”. Os dois são candidatos do PC do B e do DEM às prefeituras de Porto Alegre e do Rio, nessa ordem.

Com as ferramentas de busca reversa de imagens do Google e do TinEye, que identificam sites que publicaram fotos semelhantes, encontramos postagens nas redes sociais Reddit e Pinterest que afirmavam que o shopping registrado é o Rolling Acres Mall, em Akron, Ohio.

Ao comparar a foto da escada rolante com outras imagens publicadas pela imprensa americana do shopping abandonado (1, 2, 3) é possível concluir se tratar da mesma localização. 

O Rolling Acres Mall foi inaugurado em 1975, com mais de 140 lojas. Quatro décadas depois, com a diminuição do número de clientes, espaços no shopping começaram a ser fechados. Uma loja da Target fechou em 2006 e, pouco a pouco, o lugar foi se esvaziando até ser fechado completamente em 2013.

O prédio abandonado foi alvo de vandalismo e virou cena de crimes. Em 2016, foi começou a ser demolido pela prefeitura de Akron. Nos Estados Unidos, muitos shoppings como esse foram fechados em meio à crise do varejo nos anos 2010 e ao crescimento do comércio eletrônico.

Esse conteúdo também foi checado por AFP, Aos Fatos e Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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