Vídeo engana ao afirmar que movimento sem-teto ‘invadiu’ prédio comercial em São Paulo

Vídeo engana ao afirmar que movimento sem-teto ‘invadiu’ prédio comercial em São Paulo

Grupo promoveu manifestação em frente ao imóvel, mas não foram registrados incidentes

Victor Pinheiro

31 de agosto de 2021 | 17h12

É enganoso que movimentos populares por moradia tenham determinado a ocupação de salas de edifício comercial em São Paulo, como sugere um vídeo que circula no WhatsApp. Em 20 de agosto, manifestantes protestaram em frente à sede de uma empresa que reivindica a posse do terreno da Ocupação Luísa Mahin, no bairro Jardim Novo Horizonte, na Zona Sul da cidade. Diferentemente do que afirma o conteúdo analisado pelo Estadão Verifica, não há registros de invasões ao imóvel. 

O protesto aconteceu em frente ao edifício Helbor Office São Paulo II, localizado na região de Santo Amaro. Um homem comenta durante a gravação que o prédio comercial abriga somente consultórios de médicos e dentistas e que o movimento sem-teto teria decidido “invadir” todas as salas vagas no edifício. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou a data e o local do episódio e disse que a Polícia Militar acompanhou a manifestação sem constatar incidentes. 

Ao Estadão, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) afirmou que o vídeo “espalha mentiras” para atacar o movimento e um de seus coordenadores, o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL). A organização aponta que o protesto aconteceu na calçada em frente ao prédio onde fica o escritório de uma das empresas que reivindica a posse do terreno ocupado pelos sem-teto.

Uma reportagem do portal de notícias G1 indica que o alvo dos protestos foi a empresa Efficient Negócios Imobiliários, cuja sede ocupa uma das salas do edifício. A matéria jornalística não cita qualquer ato de invasão ao prédio comercial. Em postagem no Instagram, publicada por um perfil da ocupação em 21 de agosto, é possível conferir imagens da manifestação de outro ângulo.

Procurada, a incorporadora Helbor Office não respondeu aos contatos da reportagem. O Estadão também tentou contato com a Efficient Negócios Imobiliários por meio de um telefone que consta na ficha do CNPJ da empresa, mas não foi atendido. 

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Habitação explicou por telefone que a ocupação Luísa Mahin é recente e que o órgão deve se reunir com os líderes do acampamento para discutir a situação das famílias na próxima sexta-feira, 3 de setembro. O Estadão Verifica já desmentiu outros conteúdos relacionados a movimentos por moradia. Em 2019, Boulos teve sua imagem erroneamente associada a um artigo sobre uma ocupação em que os moradores teriam sido obrigados a participar de atos a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT.

Leitores solicitaram esta verificação pelo WhatsApp do Estadão Verifica (11) 97683-7490.

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