É verdadeira postagem que mostra águas do São Francisco chegando a cidade na Paraíba

É verdadeira postagem que mostra águas do São Francisco chegando a cidade na Paraíba

Comportas do açude de São Gonçalo, no município de Sousa, foram abertas no início de fevereiro e fazem parte de trechos da transposição concluídos durante mandato do presidente Jair Bolsonaro

Daniel Tozzi Mendes, especial para o Estadão

09 de março de 2022 | 12h38

As águas da transposição do rio São Francisco chegaram ao distrito de São Gonçalo, no município de Sousa, na Paraíba, durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL), como afirma uma post que viralizou nas redes sociais. Um vídeo publicado no Facebook no último sábado, 5, mostra um homem em frente a um canal de irrigação. Ele afirma que está no açude de São Gonçalo, na Paraíba, e agradece ao presidente Bolsonaro pelo abastecimento de água na região. No dia 3 de fevereiro, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, compartilhou o mesmo vídeo em sua página na rede social.  

A chegada das águas ao açude de São Gonçalo foi noticiada em um vídeo publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) no dia 7 de fevereiro. O anúncio mostra um local semelhante ao filmado na postagem do Facebook verificada aqui. Sites da Paraíba também noticiaram a chegada das águas do “velho Chico” à cidade de Sousa no início de fevereiro, como o Diário do Sertão e o Repórter PB. Em reportagem do dia 8 de fevereiro sobre o avanço da transposição até o Rio Grande do Norte, o G1 citou que as águas já estão passando pelo açude de São Gonçalo.

Em contato com o Estadão Verifica, o MDR afirmou que o açude de São Gonçalo faz parte do trecho em leito natural do Projeto de Integração do Rio São Francisco, e recebe as águas de um outro rio, o Piranhas, desde fevereiro deste ano. O rio Piranhas, por sua vez, está integrado à transposição do rio São Francisco por meio da barragem de Engenheiro Ávidos, que fica no município de Cajazeiras, também na Paraíba. Tanto o açude de São Gonçalo quanto a barragem de Cajazeiras são estruturas que já existiam e foram incorporadas à obra da transposição do rio São Francisco em governos anteriores. Depois de passar por São Gonçalo, as águas seguem pelo rio Piranhas até o Rio Grande do Norte.

A obra da transposição 

Iniciada em 2006, a transposição do rio São Francisco já passou pelo mandato de quatro presidentes (Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Bolsonaro) e a disputa pela “paternidade” da obra frequentemente gera boatos e informações falsas nas redes sociais. Conforme mostrou checagem do projeto Comprova de junho de 2021, no início do mandato de Bolsonaro, em 2019, pouco mais de 90% da transposição já estava concluída. Este número, no entanto, é contestado pela atual gestão do Ministério do Desenvolvimento Regional, que alega que trechos considerados concluídos anteriormente tiveram que passar por reparos nos últimos três anos.

A transposição foi dividida em dois eixos (Norte e Leste). Dilma, Temer e Bolsonaro inauguraram trechos nos dois eixos da obra. O Eixo Leste foi inaugurado em 2017, durante o mandato de Temer. Com entregas realizadas por Bolsonaro em outubro de 2021 e fevereiro de 2022 no Eixo Norte, o governo federal trata a construção dos dois Eixos como concluída

A transposição tinha um orçamento inicial de R$ 4,5 bilhões. Ao longo dos anos a obra passou por diversos aditivos e prorrogações de prazo e, hoje, o Ministério do Desenvolvimento Regional afirma que o valor total investido na transposição foi de R$ 14 bilhões. Segundo a pasta, nos três anos do governo Bolsonaro o montante investido foi de R$ 3,49 bilhões.  


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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