Reportagem que indicava fabricação de registros falsos de covid-19 foi retificada e circula sem contexto
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Reportagem que indicava fabricação de registros falsos de covid-19 foi retificada e circula sem contexto

Após uma semana, emissora portuguesa que publicou denúncia se retratou de informação veiculada

Tiago Aguiar

21 de janeiro de 2021 | 12h28

Uma reportagem da emissora de televisão portuguesa RTP circula fora de contexto no WhatsApp. No vídeo, o âncora de um telejornal afirma que Estados e municípios ganham remuneração por cada vítima de covid-19, o que teria estimulado a fabricação de registros falsos. No entanto, posteriormente a emissora divulgou que essa informação “se revelou falsa” em uma segunda matéria, que retificou a primeira.

A reportagem com a informação equivocada sobre registros falsos tem sido compartilhada sem a correção posterior. Leitores do Estadão Verifica pediram verificação do conteúdo pelo número 11 97683-7490.

A primeira matéria, veiculada originalmente em 21 de junho de 2020, citava o caso de uma morte que teria sido registrada como “suspeita de covid-19”. Na reportagem, a família da vítima afirma que o resultado do teste para coronavírus foi negativo. Na edição seguinte do telejornal, em retificação, a mesma emissora entrevistou dois especialistas que contextualizaram o caso reportado. Os infectologistas explicaram que, em meio à pandemia, cerimônias fúnebres foram suspensas e os caixões eram lacrados, por precaução. A prática tem o objetivo de evitar que os familiares sejam expostos ao vírus, mesmo em casos em que há apenas suspeita de infecção.

O correspondente da RTP no Brasil e autor de ambas reportagens, Pedro Sá Guerra, confirmou ao Estadão Verifica que a segunda reportagem corrige erros da primeira.

Não há qualquer remuneração por registro de morte, como o Ministério da Saúde já informou em outras ocasiões. “A pasta realiza o repasse de recursos para ações e serviços públicos de saúde”, informou o Ministério ao Projeto Comprova em junho do ano passado. “Esta verba é usada por secretarias estaduais e municipais de saúde para custeio dos serviços, aquisição de insumos básicos para o funcionamento dos postos de saúde e de hospitais, por exemplo, além de proporcionar equipamentos e recursos humanos a estados e municípios”.

Uma publicação do Diário Oficial da União de 7 de fevereiro do ano passado, que estabelece as diretrizes para a gestão das medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, não indica nenhuma remuneração por óbito.

Em junho do ano passado, circulou um vídeo — desmentido pelo Projeto Comprova — em que um médico e um homem não identificado afirmavam que hospitais recebiam R$ 18 mil a cada registro de óbito por covid-19.

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