Recomendação de Luana Araújo sobre máscaras, do início da pandemia, é tirada de contexto
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Recomendação de Luana Araújo sobre máscaras, do início da pandemia, é tirada de contexto

Para atacar médica que depôs na CPI da Covid, postagens de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro compartilham entrevista em que infectologista recomenda não usar máscara; ela mudou de opinião com novas informações sobre a pandemia

Luis Filipe Santos, especial para o Estadão

09 de junho de 2021 | 18h08

Um trecho de entrevista da infectologista Luana Araújo para o canal SBT da cidade de Nova Mutum (MT) tem sido tirado de contexto nas redes sociais para atacar a médica. Na gravação, feita em dia 20 de março de 2020, Araújo pede que as pessoas que não usem máscaras contra o novo coronavírus, deixando-as para os profissionais de saúde e infectados sintomáticos. Até aquele momento, não havia recomendação oficial do Ministério da Saúde para uso do equipamento de proteção.

A fala da infectologista foi tirada de contexto em páginas e canais de apoio ao presidente Jair Bolsonaro no Facebook e YouTube. Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, 11 97683-7490.

Em março de 2020, temia-se que faltassem máscaras de proteção para profissionais e pacientes da covid-19 com sintomas. Já se sabia que assintomáticos podem transmitir o vírus, mas ainda não existiam muitos dados sobre o assunto. Apenas em abril, o Ministério da Saúde passou a recomendar o uso da máscara por todos.

A entrevista original tem 18 minutos e 37 segundos, mas nas redes sociais tem se espalhado apenas um trecho curto, em que Luana fala sobre máscaras. Esse recorte tem sido utilizado para apontar uma suposta hipocrisia da médica, que defendeu veementemente as máscaras durante depoimento concedido à CPI da Covid no Senado, no dia 2 de junho. 

Veja a entrevista completa abaixo.

Com mais informações disponíveis sobre o novo coronavírus, Luana mudou a recomendação sobre o uso de máscaras. Em entrevista ao semanário O São Paulo, publicado pela arquidiocese da Capital em 12 de abril de 2021, ela orienta sobre o uso do equipamento de proteção.

Após o início da circulação do trecho fora de contexto, a infectologista publicou uma série de vídeos curtos no Instagram no qual explica sua posição na ocasião da entrevista para o SBT.  “Quando a gente está numa situação de risco, de desabastecimento e de precisar priorizar para onde mandar os poucos insumos que temos, a gente tem que fazer uma classificação de risco”, disse ela. “Então, por exemplo, com relação à máscara, lá no começo da pandemia a gente não tinha máscara pra todo mundo, e tinha uma capacidade de produzir máscara muito pequena”.

“Então, quem a gente prioriza, por bom senso? Quem tem mais chance de adoecer ou quem tem mais chance de transmitir, porque a máscara evita que a pessoa se contamine e também que a pessoa transmita pro ambiente”, continuou. “A gente priorizou as (máscaras do modelo) N95 pros profissionais de saúde de linha de frente, que eram aqueles que estavam mais suscetíveis a pegar; as máscaras cirúrgicas para os outros profissionais da saúde que estavam expostos mas não tanto quanto os médicos e enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos”.

“Se as pessoas comuns não tivessem acesso, quem seria a prioridade? Aqueles que estavam sintomáticos, porque esses precisavam ser contidos para não espalhar (o coronavírus) para outras pessoas”, afirmou. “Então, esse vídeo é dessa época e mostra como a gente consegue se adaptar na ciência e como a gente evolui no combate à uma pandemia, como a gente adapta nossas indústrias e como a gente em tão pouco tempo consegue melhorar tanta coisa”.

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